Vorcaro corre risco de voltar à Papuda caso nova delação premiada fracasse

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Por: Redação MVE

O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e um dos principais alvos da Operação Compliance Zero, enfrenta um momento decisivo em sua estratégia de colaboração com as autoridades. Caso a nova proposta de delação premiada apresentada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) seja rejeitada, ele poderá perder o direito de permanecer em uma sala especial na Superintendência da PF, em Brasília, e ser transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda.

A possibilidade de transferência ganhou força nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, interlocutores ligados ao ministro André Mendonça avaliam que Vorcaro não teria mais justificativa para permanecer em uma sala de Estado-Maior caso não consiga apresentar informações relevantes o suficiente para firmar um acordo de colaboração.

Nova tentativa de colaboração

A defesa de Vorcaro entregou uma nova versão da proposta de delação no início desta semana, depois que a primeira tentativa foi considerada insuficiente pelos investigadores. A PF e a PGR voltaram a analisar o material após o banqueiro incluir novos fatos e documentos em sua colaboração.

Segundo fontes ligadas às investigações, a primeira proposta foi rejeitada porque deixava de fora informações que os investigadores já haviam obtido por meio da quebra de sigilos, apreensão de celulares e análise de documentos financeiros. A avaliação era de que o material apresentado não agregava elementos novos suficientes para justificar os benefícios previstos em um acordo de delação premiada.

A expectativa agora é que a nova versão seja mais abrangente e apresente informações capazes de ampliar as investigações sobre a atuação do Banco Master e suas conexões políticas, financeiras e institucionais.

Operação Compliance Zero

O caso está inserido na Operação Compliance Zero, uma das maiores investigações financeiras em andamento no país. A Polícia Federal apura suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado envolvendo operações do Banco Master.

Em janeiro deste ano, a PF cumpriu dezenas de mandados de busca e apreensão em vários estados e determinou bloqueios patrimoniais que ultrapassaram R$ 5,7 bilhões. As medidas atingiram empresários, executivos e pessoas ligadas ao grupo investigado.

Vorcaro também voltou a ser preso em março durante uma nova fase da operação, autorizada pelo STF. Na ocasião, os investigadores apontaram indícios de irregularidades em operações financeiras e supostos pagamentos indevidos a agentes públicos e privados.

Pressão aumenta sobre o ex-banqueiro

A permanência de Vorcaro na sede da Polícia Federal já vinha sendo questionada antes mesmo da apresentação da primeira proposta de delação. Em maio, investigadores solicitaram ao STF sua transferência para a Papuda, alegando demora na colaboração e falta de empenho em fornecer informações relevantes para o avanço das apurações.

Além disso, a PF teria manifestado preocupação com o movimento constante de advogados, assessores e visitantes na sede da corporação em Brasília, o que aumentou a pressão por uma definição sobre a situação prisional do empresário.

Caso tem potencial explosivo em Brasília

A possível delação de Vorcaro é acompanhada com atenção por autoridades dos Três Poderes. Relatórios de investigação e informações divulgadas pela imprensa apontam que o empresário mantinha relacionamento com políticos influentes, integrantes do sistema financeiro e figuras de destaque no cenário nacional.

Nos bastidores, há expectativa sobre o conteúdo da nova colaboração e sobre quais nomes poderão ser mencionados caso o acordo avance. Investigadores avaliam que eventuais revelações podem abrir novas frentes de investigação e ampliar o alcance da Operação Compliance Zero.

Decisão deve sair nos próximos dias

A análise da nova proposta está em andamento e deve ser concluída nos próximos dias. Caso PF e PGR entendam que a colaboração apresenta fatos inéditos, provas robustas e informações úteis para a responsabilização de outros envolvidos, o acordo poderá avançar. Caso contrário, a tendência é que Vorcaro enfrente um cenário mais rigoroso, incluindo a transferência para o Complexo da Papuda.

O desfecho é aguardado com expectativa por investigadores, integrantes do governo, parlamentares e membros do Judiciário, já que uma eventual delação homologada pode provocar novos desdobramentos em uma investigação que já movimenta os bastidores do poder em Brasília.