Por Manuel Menezes

O fantasma da trágica e inacreditável compra de respiradores hospitalares por meio de uma loja de vinhos voltou a assombrar diretamente o ex-governador Wilson Lima, exatamente no momento em que ele tenta se projetar politicamente na disputa por uma vaga no Senado Federal. Em mais um duro golpe contra a estratégia defensiva do ex-gestor, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) formou posição contra as mais recentes tentativas da defesa de redirecionar o andamento da Ação Penal nº 993, fruto das investigações da Operação Sangria.

O relator dos agravos regimentais na Corte Especial, ministro Raul Araújo, votou integralmente contra o recurso apresentado pelos advogados de Wilson Lima e do também réu Gutemberg Leão Alencar.A defesa do ex-governador pretendia alterar a relatoria do processo, alegando suposta prevenção, mas Araújo rejeitou categoricamente a tese.Em seu voto, o ministro destacou que acolher a pretensão violaria o princípio constitucional do “juiz natural” e confirmou a permanência da ministra Nancy Andrighi na condução da ação penal.

O julgamento, realizado no plenário virtual do STJ, segue até o dia 8 de setembro. Se o entendimento de Raul Araújo for acompanhado pelos demais membros da Corte Especial, desmorona mais uma barreira protelatória articulada pela defesa, abrindo de vez o caminho para o julgamento definitivo do mérito.

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A queda do discurso de vitrine eleitoral

A iminência de uma decisão de mérito coloca a pré-candidatura do ex-governador ao Senado em extrema fragilidade. Wilson Lima deixou o comando do Palácio do Governo na expectativa de utilizar os investimentos e obras de sua gestão como vitrine eleitoral. No entanto, a força do processo criminal no STJ arrasta para o centro do debate a lembrança de um das fases mais dolorosas e criticadas da história administrativa do estado.

A decisão que se aproxima não diz respeito a meras formalidades do processo, mas sim à responsabilização penal direta sobre as compras efetuadas na pandemia. Conforme as teses protelatórias da defesa são derrubadas uma a uma no tribunal superior em Brasília, o ex-governador assiste ao esvaziamento de seu discurso político e à consolidação de um cenário de condenação que se torna cada vez mais real e inevitável.

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