Por: Redação MVE
Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, encaminhou uma carta de oito páginas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, na tentativa de obter a revogação de sua prisão preventiva. No documento, o empresário faz um apelo pessoal ao magistrado, nega envolvimento com organização criminosa e afirma que está enfrentando dificuldades financeiras enquanto permanece preso.
Preso desde maio durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, Henrique Vorcaro é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de integrar uma estrutura apontada como responsável por intimidar adversários, obter informações sigilosas e dar suporte às atividades investigadas no chamado caso Banco Master. As acusações são contestadas por sua defesa.
“Faço parte do Reino de Deus, não de máfia”
Em um dos trechos mais marcantes da carta, Henrique Vorcaro responde diretamente às referências feitas pelo ministro André Mendonça ao caso.
“Faço parte do Reino de Deus, de Jesus Cristo. Não de máfia.”
O empresário também afirma que nunca participou de qualquer esquema criminoso.
“Não sou bandido. Não sou máfia. Não sou desonesto. Não faço coisas escusas. Sou um trabalhador que há mais de 43 anos trabalha de forma honesta.”
Segundo ele, toda a investigação seria resultado de um “equívoco” e de uma interpretação incorreta dos fatos.
Apelo religioso e relato sobre dificuldades
Ao longo da carta, Henrique Vorcaro dirige-se a André Mendonça em tom de súplica, ressaltando a fé cristã do ministro e pedindo que ele analise o caso à luz daquilo que considera ser a verdadeira justiça.
O empresário também relata problemas de saúde durante o período em que está preso e afirma estar “apertado financeiramente”, alegando dificuldades para manter compromissos familiares e empresariais enquanto permanece custodiado.
Defesa nega envolvimento com organização criminosa
Na manifestação encaminhada ao STF, Henrique Vorcaro admite conhecer Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, mas sustenta que a relação entre ambos limitava-se a negócios imobiliários e investimentos privados, negando qualquer participação em atividades ilícitas.
Ele afirma ainda que todos os pagamentos investigados decorreram exclusivamente desses empreendimentos e rejeita qualquer vínculo com grupos criminosos mencionados pela Polícia Federal.
Investigação continua
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema envolvendo fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, organização criminosa e outras irregularidades relacionadas ao Banco Master e pessoas ligadas ao grupo empresarial.
As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Federal, com supervisão do Supremo Tribunal Federal. O pedido apresentado por Henrique Vorcaro será analisado pelo ministro André Mendonça, que decidirá se mantém ou revoga a prisão preventiva do empresário.











