Por: Manuel Menezes
Existe uma situação que merece ser discutida nesta pré-campanha em Humaitá: parte da população parece acreditar mais em candidatos que vêm de fora do que em um filho da própria terra.
Não estamos falando de todos os humaitaenses. Muito pelo contrário. Há muita gente que acredita na importância de ter uma representação política própria e que vê na pré-candidatura de Felipe Lobo uma oportunidade para Humaitá conquistar espaço na Assembleia Legislativa do Amazonas.
Mas existe também uma parcela que já anuncia, antes mesmo das urnas, que Felipe terá poucos votos em sua própria cidade.
E é justamente essa mentalidade que merece ser questionada.
Por que um candidato de fora pode chegar a Humaitá, pedir votos, fazer compromissos e receber apoio, enquanto um filho da cidade precisa enfrentar a desconfiança de seus próprios conterrâneos?
Não se trata de defender voto obrigatório em quem nasceu em Humaitá.
O eleitor é livre.
Mas também é preciso reconhecer que ter um filho da terra disputando uma cadeira na ALEAM pode representar uma oportunidade que o município não deveria simplesmente desprezar.
Um deputado estadual não resolve sozinho os problemas de uma cidade. Mas pode fiscalizar, apresentar propostas, participar das discussões do orçamento estadual e cobrar investimentos e ações do Governo do Estado.
E, nesse momento, Humaitá teria alguém que conhece diretamente a realidade local e que poderia ser cobrado diariamente pela população.
O problema não é votar em quem é de fora
O problema é quando ser de fora passa a ser visto como vantagem e ser filho de Humaitá como desvantagem.
Essa é a mentalidade que precisa mudar.
Felipe Lobo terá que conquistar o voto dos humaitaenses. Terá que apresentar propostas, mostrar capacidade, trabalhar e provar que merece representar o município.
Mas deveria ter a oportunidade de ser avaliado pelo que pretende fazer — e não ser descartado simplesmente porque alguns acreditam que candidatos de outras cidades têm mais força política.
Humaitá precisa acreditar em seus próprios filhos
Durante anos, a cidade viu candidatos chegarem em época de eleição, pedir apoio e depois seguir suas vidas políticas longe daqui.
Agora existe um filho de Humaitá colocando o próprio nome à disposição.
Será que não vale a pena ouvir o que ele tem a dizer?
Será que não vale comparar propostas?
Será que não vale cobrar compromissos?
E, principalmente, será que Humaitá não deveria pensar na possibilidade de ter uma voz própria dentro da Assembleia Legislativa?
A decisão será de cada eleitor.
Mas uma coisa precisa ficar clara:
Não é toda Humaitá que pensa assim. É apenas uma parte da população.
E talvez seja justamente por isso que esse debate precise ser feito.
Porque uma cidade que acredita em seus filhos pode começar a construir sua própria força política.
E se Felipe Lobo conseguir transformar o fato de ser filho de Humaitá em trabalho, presença e representação, então não será apenas uma candidatura pessoal.
Poderá ser uma oportunidade para Humaitá mostrar que também é capaz de eleger alguém da própria terra para defender seus interesses no Amazonas.











