Por: Redação MVE
O Amazonas aderiu à decisão do Ministério da Saúde e suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi anunciada pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP) e tem caráter preventivo, enquanto autoridades sanitárias aprofundam a investigação sobre eventos adversos registrados após a vacinação.
A suspensão ocorre após o Ministério da Saúde identificar 42 casos considerados mais severos entre aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas em todo o país. Desses episódios, três foram classificados como graves, incluindo duas mortes que seguem sob investigação. Até o momento, não há comprovação científica de que os óbitos tenham sido causados pela vacina.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a interrupção foi adotada por precaução para permitir uma análise mais detalhada dos casos em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Butantan.
A FVS informou que a decisão reflete o compromisso das autoridades com a segurança da população e com os protocolos de farmacovigilância adotados após a introdução de novas vacinas no Sistema Único de Saúde (SUS).
Casos representam percentual extremamente baixo
Dados do Ministério da Saúde mostram que os 42 casos investigados representam cerca de 0,008% do total de doses aplicadas. As ocorrências envolvem sintomas como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos, considerados sinais de alerta para avaliação médica.
As autoridades reforçam que a suspensão não significa que a vacina tenha sido considerada insegura. Pelo contrário, o imunizante passou por todas as etapas regulatórias exigidas pela Anvisa antes de ser incorporado ao SUS.
Vacina foi considerada avanço histórico
A vacina Butantan-DV é a primeira contra a dengue desenvolvida e produzida por um laboratório brasileiro. Aplicada em dose única, ela foi aprovada para pessoas entre 12 e 59 anos e era considerada um dos principais avanços no combate à doença no país. Estudos clínicos apontaram eficácia próxima de 75% contra a dengue e proteção ainda maior contra formas graves da enfermidade.
Enquanto as investigações prosseguem, o Ministério da Saúde orientou que as doses já distribuídas permaneçam armazenadas adequadamente pelas secretarias estaduais e municipais de saúde. A expectativa é que, após a conclusão das análises, seja possível determinar se existe relação entre os eventos registrados e a vacinação ou se os casos ocorreram por outros fatores independentes.
As demais estratégias de combate à dengue continuam mantidas, incluindo ações de eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, monitoramento epidemiológico e campanhas de conscientização da população.











