Por: Redação MVE
MANAUS (AM) — O candidato ao Senado Wilson Lima (União Brasil) voltou a colocar a segurança pública no centro de seu discurso eleitoral ao destacar investimentos realizados durante sua passagem pelo Governo do Amazonas e defender o endurecimento da legislação penal.
Em declaração repercutida neste fim de semana, Wilson criticou situações em que pessoas presas retornam rapidamente às ruas e disparou: “A Justiça não pode ser uma porta giratória”. O candidato argumenta que o Estado fortaleceu as polícias, mas que mudanças na legislação são necessárias para ampliar o combate ao crime.
A declaração, porém, abre espaço para um contraponto inevitável: Wilson comandou o Amazonas desde 2019 e deixou o governo para disputar o Senado. Portanto, também carrega no currículo os avanços e os problemas registrados na segurança pública durante esse período.
Os avanços existem
Os resultados positivos não podem ser ignorados. O Anuário da Segurança Pública do Amazonas de 2026 aponta investimentos superiores a R$ 1,16 bilhão desde 2019, além da convocação de mais de 3,7 mil aprovados em concursos e renovação da frota das forças policiais.
Os homicídios também apresentaram forte redução. Dados oficiais apontam queda de 1.055 ocorrências em 2024 para 709 em 2025, redução de aproximadamente 32%.
São números importantes e fazem parte do legado administrativo reivindicado por Wilson.
Mas justamente por assumir os méritos, o candidato também enfrenta questionamentos sobre a parcela de responsabilidade do Executivo nos problemas que permaneceram.
A “porta giratória” vale para todos?
A crítica de Wilson à Justiça também ganha outra dimensão quando confrontada com acontecimentos de sua própria administração.
Durante seus governos, ex-integrantes do primeiro escalão foram presos ou investigados em operações policiais. Três ex-secretários estaduais de Saúde chegaram a ser presos em diferentes momentos e posteriormente obtiveram liberdade.
Isso não significa que sejam culpados. Prisão, investigação ou indiciamento não equivalem a condenação, e decisões sobre manter alguém preso dependem das circunstâncias jurídicas de cada processo.
É justamente esse princípio que torna delicada a expressão “porta giratória”.
Se decisões judiciais que colocam investigados em liberdade são tratadas genericamente como sinal de impunidade, surge a pergunta sobre como aplicar o mesmo raciocínio quando as pessoas beneficiadas pelas decisões fizeram parte do próprio governo.
Segurança pública não depende apenas da Justiça
O discurso de que “a polícia prende e a Justiça solta” também simplifica um sistema muito mais amplo.
O combate à criminalidade depende de policiamento, investigação, inteligência, prevenção, sistema penitenciário, Ministério Público, Judiciário, legislação federal e políticas públicas executadas pelos governos estaduais.
Wilson agora pretende atuar justamente em uma dessas frentes.
Como candidato ao Senado, colocou entre suas propostas o endurecimento das leis e defendeu medidas mais rígidas para determinados crimes.
A mudança de posição institucional, entretanto, coloca seu histórico administrativo sob análise.
Durante quase oito anos, Wilson esteve do lado responsável por comandar as forças estaduais. Agora, pede o voto do amazonense argumentando que parte daquilo que não foi solucionado depende de mudanças feitas pelo Congresso.
O eleitor terá dois históricos para analisar
Wilson Lima possui resultados concretos para apresentar na segurança. A queda dos homicídios e de diferentes modalidades de roubo está registrada nos dados oficiais.
Mas uma campanha eleitoral não é feita apenas dos indicadores favoráveis.
Ao colocar a Justiça e a legislação no centro das críticas, o ex-governador inevitavelmente abre espaço para que o eleitor examine também o que permaneceu sem solução durante seus anos no comando do Amazonas.
A discussão, portanto, vai além da frase de efeito sobre uma “porta giratória”.
Se Wilson reivindica os acertos de sua gestão para chegar ao Senado, terá também de responder pelos problemas e explicar por que aquilo que não conseguiu resolver como governador poderá ser solucionado agora como senador.
Por: Redação MVE











