Por: Redação MVE
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a adotar um discurso fortemente alinhado ao eleitorado evangélico durante a edição de 2026 da Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira (4), em São Paulo. Diante de milhares de participantes, o parlamentar afirmou que o Brasil vive uma “guerra espiritual” e declarou que o “mal” será retirado do governo federal ainda neste ano, em uma referência indireta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A manifestação ocorreu em um dos maiores eventos cristãos do país e contou também com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do prefeito paulistano Ricardo Nunes e de outras lideranças ligadas ao campo conservador.
Discurso reforça aproximação com o eleitorado evangélico
A fala de Flávio ocorre em um momento em que sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto busca consolidar apoio entre igrejas evangélicas e movimentos cristãos conservadores. Durante o evento, o senador defendeu a oração como instrumento de transformação social e afirmou que a mobilização religiosa representa uma resposta aos desafios enfrentados pelo país.
Em entrevista concedida durante a marcha, o parlamentar destacou que o Brasil “tem conserto” e elogiou a participação popular no encontro religioso, afirmando que milhões de brasileiros estão unidos em defesa da família, da fé e de valores que considera fundamentais para a sociedade.
Segundo os organizadores, a Marcha para Jesus deste ano reuniu mais de dois milhões de pessoas e cerca de 26 mil caravanas vindas de diversas regiões do país, consolidando-se como um dos maiores eventos religiosos da América Latina.
Estratégia para 2026 ganha tom religioso
Analistas políticos observam que a utilização da expressão “guerra espiritual” não é nova no discurso de lideranças conservadoras ligadas ao movimento evangélico. O conceito costuma ser empregado para representar uma disputa de valores morais, culturais e religiosos na sociedade, especialmente em temas relacionados à família, educação e costumes.
Nos últimos meses, Flávio Bolsonaro tem intensificado sua participação em eventos religiosos, visitas a lideranças evangélicas e agendas voltadas ao público cristão. O movimento é interpretado como parte da construção de sua imagem nacional para a disputa presidencial de 2026, especialmente após ter sido lançado como principal nome do campo bolsonarista para a sucessão presidencial.
Ausência de Lula volta a gerar debate
A Marcha para Jesus também foi marcada pela ausência do presidente Lula. Pelo quarto ano consecutivo em seu terceiro mandato, o chefe do Executivo não participou do evento e enviou como representante oficial o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Durante sua participação, Jorge Messias defendeu uma agenda de pacificação e falou sobre equilíbrio entre justiça e misericórdia ao responder questionamentos da imprensa.
A ausência do presidente foi explorada por setores da oposição, que frequentemente apontam dificuldades do governo em ampliar sua aproximação com o eleitorado evangélico, um segmento que continua crescendo em influência política e eleitoral no país.
Marcha para Jesus vira palco da disputa política
Embora os organizadores reforcem o caráter religioso da Marcha para Jesus, o evento tem se consolidado nos últimos anos como um importante espaço de demonstração de força política. Lideranças partidárias, parlamentares, governadores e pré-candidatos costumam utilizar a mobilização para fortalecer laços com igrejas e ampliar visibilidade nacional.
Além de Flávio Bolsonaro, outros nomes da direita marcaram presença na edição deste ano. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou durante o evento que a oposição chega fortalecida para a disputa presidencial de 2026 e declarou que apenas uma grande falha estratégica impediria uma vitória do campo conservador.
Cenário eleitoral começa a ganhar forma
Com pouco mais de quatro meses para o início oficial do calendário eleitoral de 2026, a disputa presidencial já começa a ganhar contornos mais definidos. Enquanto aliados de Lula trabalham para fortalecer a base governista, o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro aposta na mobilização do eleitorado conservador, especialmente entre evangélicos e setores identificados com pautas de costumes.
Nesse contexto, declarações como a de Flávio Bolsonaro demonstram que a religião deverá ocupar papel central na narrativa de parte dos candidatos durante a campanha, reforçando uma estratégia que já se mostrou relevante em disputas eleitorais anteriores.











