Por: [Manuel Menezes]
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ser alvo de críticas após optar por não comparecer aos atos do Dia do Trabalhador, uma das datas mais simbólicas de sua trajetória política. A ausência, que não é inédita, reacende um questionamento incômodo: como sustentar o discurso de liderança popular e favoritismo eleitoral enquanto evita justamente os palcos onde o povo se manifesta?
Pesquisas eleitorais frequentemente apontam Lula como competitivo — e até favorito — em cenários de reeleição. Mas a política não se mede apenas em números frios. Ela se testa nas ruas, no calor das multidões, no contato direto com aqueles que, em teoria, formam a base de sustentação de qualquer governo. E é exatamente nesses momentos que o presidente parece hesitar.
O 1º de Maio deste ano repete um padrão que já havia sido observado anteriormente: baixa mobilização, eventos esvaziados e, agora, a ausência do próprio chefe do Executivo. Em vez de liderar, discursar e enfrentar o termômetro popular, Lula opta pelo distanciamento. A pergunta que surge é inevitável: trata-se de estratégia ou de receio?
Um líder que se apresenta como representante dos trabalhadores, mas que evita eventos de massa ligados a essa mesma base, abre espaço para uma contradição difícil de ignorar. Afinal, o que impede a presença? O risco de baixa adesão? O desgaste político? Ou o temor de que a realidade das ruas não corresponda à narrativa construída?
A política brasileira já viu líderes fortes justamente por sua capacidade de mobilização popular. A ausência nesses momentos-chave não passa despercebida — e pode sinalizar algo mais profundo: um enfraquecimento da conexão entre governo e sociedade.
Se por um lado o discurso oficial insiste em reforçar apoio popular, por outro, a prática recente sugere um cenário diferente. Um presidente que evita multidões em datas emblemáticas transmite a imagem de isolamento. E isso levanta uma reflexão direta: é possível se apresentar como a melhor opção para o país sem encarar o julgamento mais imediato e legítimo — o das ruas?
No fim das contas, governar também é estar presente. E, sobretudo, não fugir quando o palco é o povo.











