Áudios do caso Master: Zettel diz que Vorcaro guardou R$ 20 bilhões no exterior

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Gravações atribuídas ao cunhado do fundador do Banco Master citam fortuna fora do país; existência e valor integral dos recursos ainda não foram comprovados pelas autoridades

Redação MVE

Brasília – Novas gravações relacionadas às investigações do Banco Master colocaram novamente o patrimônio de Daniel Vorcaro no centro das atenções. Em conversas privadas divulgadas originalmente pela revista Piauí, Fabiano Zettel, cunhado e apontado nas investigações como operador financeiro de Vorcaro, afirmou que o empresário teria mantido R$ 20 bilhões no exterior.

A declaração teria sido feita em 2 de dezembro de 2025, semanas depois da liquidação do Banco Master pelo Banco Central e após Vorcaro deixar sua primeira prisão sob medidas cautelares. Zettel conversava com uma mulher identificada pela reportagem pelo nome fictício de “Marina”.

“Ele guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar”, afirmou Zettel na gravação divulgada.

Segundo o relato, Vorcaro não conseguiria movimentar os recursos porque isso poderia chamar a atenção das autoridades e agravar sua situação judicial. A fala de Zettel, porém, não constitui prova de que existam efetivamente R$ 20 bilhões pertencentes a Vorcaro fora do Brasil. Até agora, não há comprovação pública desse montante.

Vorcaro admitiu contas e holding fora do Brasil

Há, entretanto, outro elemento relevante nas investigações. Em depoimento prestado à Polícia Federal em 30 de dezembro de 2025, Vorcaro afirmou possuir uma holding nas Ilhas Cayman e “algumas contas correntes” no exterior. Segundo o Poder360, ele declarou não se recordar de todas as contas.

Vorcaro também negou ser proprietário de uma casa em Miami, afirmando que o imóvel que utilizava na cidade era alugado.

A investigação sobre o patrimônio internacional avançou posteriormente. Em julho de 2026, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a utilizar mecanismos de cooperação internacional para localizar bens, movimentações financeiras e outras provas relacionadas ao ex-banqueiro em outros países.

R$ 303 milhões enviados às Bahamas

Outras operações internacionais ligadas ao Master também já apareceram nas apurações. Reportagem publicada em setembro informou que R$ 303 milhões foram enviados às Bahamas em uma estrutura que inicialmente tinha como objetivo financiar investimentos no setor de petróleo na Venezuela.

De acordo com a apuração, a operação envolveu fundos e empresas relacionadas aos negócios investigados no caso Master. O Coaf também identificou movimentações consideradas suspeitas envolvendo estruturas financeiras no exterior. Esses episódios não comprovam, por si, a cifra de R$ 20 bilhões mencionada por Zettel, mas ajudam a explicar por que investigadores buscam rastrear recursos internacionais relacionados ao grupo.

Zettel também falou sobre esconder dinheiro

As gravações divulgadas nesta semana apresentam outro trecho relevante. Antes da liquidação do Master, Zettel teria relatado que viajou ao exterior e escondeu dinheiro diante da possibilidade de seus bens serem bloqueados caso a crise do banco se agravasse.

Esse relato é atribuído ao próprio Zettel nas gravações e deve ser diferenciado da afirmação referente aos supostos R$ 20 bilhões de Vorcaro. A origem, o destino e o montante desse dinheiro mencionado por Zettel ainda dependem das investigações e de eventual comprovação documental.

Autoridades teriam localizado cerca de R$ 2 bilhões

Enquanto o suposto patrimônio de R$ 20 bilhões permanece sem confirmação pública, a Piauí, segundo as reportagens que reproduziram sua apuração, informou que autoridades já teriam localizado aproximadamente R$ 2 bilhões em imóveis e outros bens ligados a Vorcaro.

A diferença entre os valores é expressiva: os bens já identificados corresponderiam a apenas uma parcela da fortuna que Zettel afirmou estar fora do Brasil, caso a declaração dele venha a ser comprovada.

Prisões e liquidação do Master

Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. Posteriormente, o empresário deixou a prisão sob medidas cautelares.

Em março de 2026, Vorcaro voltou a ser preso em uma operação que também levou Zettel à prisão. As investigações passaram a aprofundar o rastreamento de patrimônio, empresas, fundos e movimentações financeiras associados ao grupo.

Gravações ampliam pressão pelo rastreamento do dinheiro

A revelação não permite afirmar que Vorcaro efetivamente possua R$ 20 bilhões escondidos no exterior. O que existe publicamente até agora é a declaração atribuída a Zettel, somada à admissão do próprio Vorcaro de que possuía holding e contas fora do país e às investigações sobre operações internacionais.

O ponto central agora é descobrir se o patrimônio mencionado nas gravações existe, onde estaria localizado, qual seria sua origem e quem teria controle sobre esses recursos.

As defesas de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel foram procuradas pela Piauí sobre o conteúdo divulgado e, segundo as reportagens publicadas até esta quinta-feira (1º), não haviam apresentado manifestação sobre essas gravações.


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