Por Manuel Menezes
Novas mensagens envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, levantam uma pergunta incômoda: a estrutura diplomática brasileira foi mobilizada para facilitar a mudança do filho do presidente Lula e de sua família para Madri?
De acordo com informações divulgadas pelo Poder360 e originalmente reveladas pelo Metrópoles, o então embaixador do Brasil na Espanha, Orlando Leite Ribeiro, manteve contato com a lobista Roberta Luchsinger, apontada como responsável por organizar a transferência de Lulinha para a capital espanhola.
As conversas indicam que o diplomata forneceu informações sobre escolas e bairros, ofereceu o acompanhamento de uma funcionária da embaixada e chegou a mencionar a disponibilidade de uma van da representação brasileira para auxiliar na compra de móveis.
Em uma das mensagens, o embaixador agradece uma gravata recebida e afirma que estava sendo um prazer ajudar no processo de instalação em Madri. A proximidade revelada nas conversas aumenta os questionamentos sobre os limites entre o atendimento consular oferecido a qualquer brasileiro e um possível tratamento privilegiado concedido ao filho do presidente da República.
Lulinha vive em Madri desde 2025. Em janeiro de 2026, abriu a empresa Synapta SL na Espanha e, posteriormente, transferiu o endereço fiscal do negócio para um espaço de coworking localizado no Paseo de la Castellana.
O episódio ganhou repercussão política, e o deputado Ubiratan Sanderson acionou o Tribunal de Contas da União para solicitar uma investigação sobre o possível uso de servidores, veículos e outros recursos públicos na mudança.
O Itamaraty confirmou que o setor educacional da embaixada prestou informações sobre escolas, mas afirmou que esse tipo de orientação faz parte do atendimento cotidiano aos brasileiros no exterior. O ministério também negou que a van mencionada nas mensagens tenha sido efetivamente utilizada.
A defesa de Roberta Luchsinger sustenta que não houve irregularidade e afirma que as conversas não demonstram qualquer conduta ilegal do embaixador. Até o momento, também não foi apresentada prova de que Lulinha tenha solicitado pessoalmente o auxílio diplomático ou cometido crime nesse episódio.
Mesmo assim, o caso exige esclarecimentos. Em um país onde milhares de brasileiros enfrentam dificuldades no exterior sem qualquer acesso privilegiado, a oferta de funcionários e recursos de uma embaixada para auxiliar pessoas próximas ao filho do presidente coloca novamente em debate uma velha pergunta: a estrutura do Estado está disponível igualmente para todos ou continua servindo melhor a quem tem sobrenome poderoso?











