Por: Redação MVE
A discussão sobre a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mirari e a ampliação da Estação Ecológica de Cuniã ganhou um novo capítulo em Humaitá com o posicionamento público do vereador Osvaldo, que divulgou uma nota de repúdio contra as propostas apresentadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Na manifestação, o parlamentar declarou apoio às famílias rurais, agricultores, ribeirinhos e trabalhadores que podem ser diretamente impactados pelas mudanças territoriais em debate, defendendo que qualquer medida ambiental seja construída com ampla participação popular e respeito à realidade social do município.
A posição do vereador ocorre em meio à consulta pública aberta pelo ICMBio para discutir a criação da RDS Mirari e a ampliação da Estação Ecológica de Cuniã. Segundo o órgão federal, as propostas fazem parte de estudos voltados à conservação ambiental na região de influência da BR-319 e permanecem abertas para sugestões e manifestações da sociedade até o dia 16 de junho.
Defesa das famílias e dos produtores
Em sua nota, Osvaldo afirma que não é contrário à preservação ambiental, mas considera que a proposta precisa levar em consideração a situação das famílias que vivem e trabalham há décadas nas áreas envolvidas.
“O desenvolvimento sustentável não pode excluir quem produz, quem gera renda e quem ajuda a construir a história de Humaitá”, defende o vereador.
Segundo ele, a criação de novas restrições territoriais sem a devida regularização fundiária pode gerar insegurança jurídica para agricultores familiares, produtores rurais e comunidades tradicionais que dependem diretamente da terra para sobreviver.
A preocupação também acompanha o posicionamento adotado pela Prefeitura de Humaitá, que divulgou manifestação institucional apontando possíveis impactos econômicos, sociais e fundiários caso as propostas avancem sem revisão dos limites atualmente apresentados.
Debate que divide opiniões
Os estudos técnicos divulgados pelo ICMBio apontam que a proposta da RDS Mirari abrange aproximadamente 22,7 mil hectares em Humaitá e tem como objetivo fortalecer a proteção de áreas consideradas ambientalmente relevantes, além de garantir a permanência de comunidades tradicionais da região.
Já a proposta de ampliação da Estação Ecológica de Cuniã envolve cerca de 15,4 mil hectares localizados próximos à BR-319, sendo que parte significativa da área é composta por terras públicas federais, segundo levantamento fundiário apresentado pelo próprio instituto.
Apesar disso, lideranças políticas, representantes do setor produtivo e moradores têm manifestado preocupação com possíveis restrições futuras para atividades econômicas, acesso ao crédito rural, regularização fundiária e investimentos no campo.
“Humaitá precisa ser ouvida”
Para o vereador Osvaldo, a consulta pública deve servir como um instrumento real de participação popular e não apenas como uma etapa burocrática do processo.
Ele defende que produtores rurais, moradores das comunidades, pescadores, agricultores familiares e representantes da sociedade civil tenham voz ativa na construção de qualquer decisão que afete diretamente o futuro do município.
“Quem vive na região precisa ser ouvido. Não se pode decidir o destino de milhares de famílias sem considerar a realidade de quem mora, trabalha e produz aqui”, argumenta.
Equilíbrio entre preservação e desenvolvimento
O parlamentar também destaca que Humaitá possui vocação agrícola e desempenha papel estratégico para a economia do sul do Amazonas. Segundo ele, a preservação ambiental deve caminhar lado a lado com a geração de empregos, o fortalecimento da agricultura familiar e a valorização das comunidades locais.
Na avaliação de Osvaldo, o caminho mais adequado passa pela regularização fundiária, pelo ordenamento territorial e pelo incentivo à produção sustentável, evitando medidas que possam gerar insegurança para quem depende da terra para viver.
Ao final da manifestação, o vereador reafirma seu compromisso com a defesa dos interesses da população humaitaense e afirma que continuará acompanhando o debate sobre a RDS Mirari e a ampliação da Estação Ecológica de Cuniã.
“Somos favoráveis à preservação ambiental, mas também somos favoráveis ao direito das famílias de trabalhar, produzir e viver com dignidade. O desenvolvimento e a conservação precisam caminhar juntos”, concluiu.












