Richard Rasmussen expõe lixão a céu aberto em Iranduba e leva problema ambiental do Amazonas para todo o Brasil

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Documentário mostra impactos do descarte irregular de resíduos sobre comunidades, turismo, agricultura e meio ambiente; situação persiste há mais de quatro décadas no município

Por: Redação MVE

O problema ambiental enfrentado por moradores de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, ganhou repercussão nacional após ser tema de um documentário apresentado pelo biólogo, jornalista e apresentador Richard Rasmussen. O vídeo, intitulado “Existe um lixão no meio da Amazônia e você nem faz ideia!”, foi publicado no canal oficial do programa Agro: A Verdade, no YouTube, e mostra os impactos provocados pelo funcionamento de um lixão a céu aberto no município.

Localizado no Ramal do Creuza, no quilômetro 6 da rodovia AM-070, o depósito irregular de resíduos sólidos opera próximo aos rios Solimões e Negro, além de comunidades rurais, áreas agrícolas, balneários e importantes pontos turísticos da região. Desde 2021, o município é administrado pelo prefeito Augusto Ferraz (União Brasil).

Ao longo do documentário, Richard Rasmussen percorre comunidades afetadas pelo problema e reúne relatos de moradores que convivem diariamente com fumaça tóxica, mau cheiro, contaminação ambiental e riscos à saúde pública.

Representantes das comunidades São Francisco, Maria Zeneide e Novo Paraíso denunciaram os impactos causados pelo descarte inadequado dos resíduos. Segundo eles, o lixo coletado nas comunidades é encaminhado para o local, que já não consegue absorver o volume recebido.

“Todo esse lixo vai até esse lixão a céu aberto, onde existe uma associação de catadores que recicla aquilo que consegue. A demanda é tão grande que eles não conseguem absorver a quantidade de resíduos”, afirmou André Peres, presidente da Associação Rural da Comunidade São Francisco.

Agricultores relatam prejuízos e problemas de saúde

Durante a visita às áreas próximas ao lixão, agricultores relataram prejuízos provocados pela fumaça gerada pela queima constante dos resíduos. Segundo os moradores, o problema afeta plantações, compromete a qualidade do ar e provoca doenças respiratórias.

O produtor rural Jamerson descreveu as dificuldades enfrentadas pelas famílias da região.

“Quando o lixo entra em combustão, a fumaça toma conta da comunidade. O cheiro de plástico queimado e de produtos químicos é muito forte. Crianças, idosos e moradores acabam adoecendo”, relatou.

Além dos impactos na agricultura, o documentário destaca os riscos de contaminação dos recursos hídricos. O lixão está localizado a aproximadamente 500 metros do Igarapé do Papagaio, um dos balneários mais frequentados de Iranduba.

Segundo lideranças comunitárias, o chorume produzido pelos resíduos pode atingir áreas próximas utilizadas para lazer e turismo.

Turismo também é afetado

Moradores afirmam que a situação compromete a imagem turística de Iranduba, município conhecido por suas praias, balneários e atrativos naturais.

O líder comunitário Benedito Leite relatou que visitantes frequentemente reclamam de problemas de pele após frequentarem áreas próximas ao lixão.

“Existe um igarapé em frente ao lixão, o Igarapé do Papagaio. Muitas pessoas que vêm de Manaus saem daqui reclamando de coceiras e outros problemas”, afirmou.

Catadores enfrentam condições insalubres

Outro aspecto abordado pela reportagem é a situação dos trabalhadores que sobrevivem da coleta de materiais recicláveis dentro do lixão.

Segundo Richard Rasmussen, muitas famílias atuam sem condições adequadas de segurança e convivem diariamente com chorume, fumaça e outros riscos sanitários.

“Essas pessoas acreditam que a implantação de um aterro sanitário poderá tirar seus empregos. Na verdade, um sistema adequado de gestão de resíduos pode oferecer melhores condições de trabalho, renda e saúde para todos”, destacou o apresentador.

Amazônia enfrenta desafios além do desmatamento

Durante o documentário, Richard Rasmussen chama atenção para o fato de que os problemas ambientais da Amazônia vão além do desmatamento.

Segundo o apresentador, a falta de saneamento básico, o crescimento urbano desordenado e a gestão inadequada dos resíduos sólidos representam ameaças significativas para a floresta e para as populações que vivem na região.

Os números apresentados reforçam a gravidade do cenário nacional. Em 2023, o Brasil gerou cerca de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos. Desse total, aproximadamente 41,5% tiveram destinação inadequada.

Atualmente, o país ainda possui cerca de 2.600 lixões a céu aberto e apenas aproximadamente 600 aterros sanitários regularizados. A Região Norte lidera os índices de descarte inadequado de resíduos.

Aterro sanitário é apontado como solução

Além de denunciar o problema, o documentário apresenta alternativas para a destinação correta dos resíduos.

Richard Rasmussen visitou um aterro sanitário em Santana de Parnaíba, no estado de São Paulo, considerado referência nacional em gestão ambiental. A estrutura atende cerca de 1,4 milhão de habitantes e possui sistemas modernos de impermeabilização do solo, tratamento de chorume, monitoramento ambiental e geração de energia por meio do biogás.

Segundo a reportagem, a mesma empresa responsável pelo projeto paulista participou do planejamento do futuro aterro sanitário previsto para Iranduba.

O empreendimento deverá ser executado pela empresa amazonense Norte Ambiental e é apontado como uma alternativa para substituir definitivamente o lixão a céu aberto, adequando o município às exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Ao final do documentário, Richard Rasmussen reforça que a destinação correta do lixo não é apenas uma questão ambiental, mas também de saúde pública, desenvolvimento econômico e qualidade de vida para milhares de famílias que vivem na Amazônia.

VEJA O VÍDEO: