Por Manuel Menezes
Em toda eleição acontece praticamente a mesma coisa.
Candidatos chegam a Humaitá, participam de reuniões, procuram lideranças, fazem discursos, pedem votos e garantem que conhecem os problemas do município.
Depois chega o domingo da eleição.
As urnas fecham, as bandeiras são recolhidas e começa uma história bem diferente: quatro anos de mandato.
É justamente aí que o eleitor deveria fazer uma pergunta antes de escolher seu deputado estadual:
quando Humaitá precisar, quem estará lá?
Nesta eleição, essa discussão ganha um elemento concreto. Felipe Lobo, candidato a deputado estadual pelo MDB, número 15.123, nasceu em Humaitá.
Isso, sozinho, não faz ninguém merecedor de mandato. Nenhum candidato deve receber um cheque em branco simplesmente por ter nascido aqui.
Mas também seria estranho fingir que representação política local não tem importância.
Humaitá dá votos. E o que recebe depois?
Essa é a discussão que precisa sair das conversas particulares e chegar às ruas.
Humaitá recebe candidatos de diversas partes do Amazonas. Isso é absolutamente legítimo. Qualquer candidato pode apresentar suas propostas, pedir votos e conquistar o eleitor.
A questão vem depois.
Quando o município precisa de recursos para saúde, infraestrutura, educação, produção rural ou outras demandas, quem ajuda Humaitá a abrir portas em Manaus?
Quando uma comunidade precisa ser ouvida pelo Estado, quem leva sua reivindicação?
Quando surge um problema grave, quem levanta a voz?
E quando isso não acontece, quase sempre aparece a mesma frase:
“É culpa do prefeito.”
Calma.
Prefeito tem responsabilidades — e deve ser cobrado por elas.
Mas existem responsabilidades municipais, estaduais e federais. Existem deputados estaduais, deputados federais e senadores que também recebem votos de Humaitá.
Então é justo acrescentar outra pergunta:
onde está o parlamentar em quem você votou?
Felipe Lobo coloca essa discussão diante de Humaitá
É nesse cenário que entra Felipe Lobo.
Felipe não chegou a Humaitá durante uma campanha eleitoral para descobrir onde fica o município.
Ele nasceu aqui.
Sua família está ligada à cidade, seu irmão Dedei Lobo é o atual prefeito e sua candidatura coloca diante do eleitor uma possibilidade que merece ser analisada: Humaitá voltar a discutir sua própria força dentro da Assembleia Legislativa.
Isso aumenta, e não diminui, a responsabilidade de Felipe.
Se chegar à Aleam, terá uma cobrança enorme sobre seus ombros.
Porque quem se apresenta politicamente como filho de Humaitá precisa estar preparado para responder por Humaitá.
Não apenas durante a campanha.
Durante quatro anos.
O voto de hoje vira cobrança amanhã
É isso que muitas vezes esquecemos.
O eleitor não entrega apenas um voto.
Entrega poder político.
E Humaitá precisa aprender a transformar voto em cobrança.
Quem receber votos daqui precisa voltar aqui.
Quem prometer recursos precisa mostrar o que conseguiu.
Quem disser que defenderá o produtor precisa defender.
Quem falar de emprego precisa trabalhar por emprego.
Quem prometer representar Humaitá precisa prestar contas a Humaitá.
Isso vale para Felipe Lobo e vale para qualquer outro candidato.
Mas existe uma diferença evidente: se Felipe conquistar uma cadeira na Assembleia, a população saberá exatamente onde cobrar o filho da terra que pediu a oportunidade de representá-la.
Ataque eleitoral não pode substituir discussão sobre o futuro
Campanha também produz muito barulho.
Existem disputas entre grupos, interesses pessoais, provocações e ataques nas redes sociais. Críticas fazem parte da democracia e candidato nenhum pode estar acima delas.
Felipe também não.
Mas crítica é uma coisa.
Desinformação, acusações sem provas e tentativa de destruir reputações simplesmente por disputa eleitoral são outra completamente diferente.
Quem acompanha política precisa aprender a separar uma coisa da outra.
Porque eleição não deveria ser campeonato de quem consegue atacar mais.
Deveria ser uma discussão sobre quem terá condições de trabalhar pelo município depois que a campanha acabar.
E depois não adianta perguntar onde estão os deputados
Essa talvez seja a parte mais incômoda desta reflexão.
Durante quatro anos, reclamamos que Humaitá precisa de mais força política.
Reclamamos quando uma demanda demora.
Reclamamos quando faltam recursos.
Reclamamos quando o município parece distante das grandes decisões tomadas em Manaus.
Mas representação política também nasce na urna.
Por isso, antes de escolher qualquer candidato que venha pedir voto em Humaitá, faça perguntas.
O que você fará por Humaitá?
Qual compromisso terá com o município depois da eleição?
Quando precisarmos de você em Manaus, você estará lá?
E essas mesmas perguntas precisam ser feitas a Felipe Lobo.
Talvez até com mais rigor.
Porque quem carrega Humaitá na própria história terá uma responsabilidade proporcionalmente maior se receber a confiança de sua população.
No final, Humaitá continuará aqui
A campanha vai acabar.
Os palanques serão desmontados.
Os carros de som vão desaparecer.
As bandeiras serão guardadas.
Muitos candidatos que hoje percorrem nossas ruas seguirão seus caminhos políticos em outras partes do Amazonas.
Felipe Lobo continuará carregando uma coisa que eleição nenhuma modifica: Humaitá é sua terra natal.
Isso não decide uma eleição.
Mas é um fato que merece entrar na reflexão do eleitor quando ele compara quem pede seu voto e, principalmente, quem poderá ser cobrado amanhã para defender o município.
Porque daqui a quatro anos ninguém deveria dizer que não sabia.
O voto dura alguns segundos.
As consequências duram quatro anos.
E quando a eleição terminar, uma coisa permanecerá exatamente no mesmo lugar:
Humaitá.











