Plínio Valério se alia a grupo de Flávio Bolsonaro e entra em ofensiva contra proposta da jornada 5×2

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Senador do Amazonas assina PEC da oposição que propõe flexibilização das relações de trabalho e se posiciona contra modelo aprovado pela Câmara

Por: Redação MVE

O senador Plínio Valério passou a integrar oficialmente a articulação liderada por aliados de Flávio Bolsonaro contra as mudanças na jornada de trabalho aprovadas recentemente pela Câmara dos Deputados. O parlamentar amazonense assinou a PEC 12/2026, proposta apresentada pela oposição no Senado como alternativa ao projeto que reduz a carga semanal de trabalho e amplia o descanso remunerado dos trabalhadores.

A proposta foi elaborada pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), um dos principais articuladores políticos da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro para 2026. O texto cria um regime de contratação baseado em horas efetivamente trabalhadas, permitindo maior flexibilização dos contratos e fortalecendo acordos individuais entre empregadores e empregados.

Segundo informações divulgadas pelo BNC Amazonas, a adesão de Plínio Valério foi formalizada no último dia 27 de maio, colocando o senador entre os 36 parlamentares que apoiam a proposta da oposição.

PEC propõe trabalho por hora e contratos mais flexíveis

A PEC altera o artigo 7º da Constituição Federal para permitir que trabalhadores possam optar entre o regime tradicional da CLT e um modelo baseado em remuneração proporcional às horas trabalhadas. O texto também amplia a possibilidade de negociação direta entre empregado e empregador, reduzindo o peso das negociações coletivas conduzidas por sindicatos.

De acordo com os defensores da proposta, direitos como férias, 13º salário e FGTS seriam mantidos, mas calculados de forma proporcional à carga horária cumprida. Os apoiadores argumentam que o modelo amplia a liberdade contratual e acompanha as novas formas de trabalho surgidas com os avanços tecnológicos.

Já críticos da PEC afirmam que a medida pode abrir caminho para a precarização das relações trabalhistas e enfraquecer garantias históricas dos trabalhadores brasileiros. Entidades sindicais e parlamentares da base governista classificam a proposta como uma reação ao avanço da pauta do fim da escala 6×1.

Debate sobre jornada de trabalho divide Congresso

A movimentação ocorre após a aprovação, na Câmara dos Deputados, da proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, estabelecendo dois dias de descanso remunerado sem redução salarial. A medida tem apoio do governo federal e de entidades ligadas aos trabalhadores.

Pesquisa citada pela Agência Brasil aponta que cerca de 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, desde que não haja redução dos salários. Mesmo assim, setores empresariais e parlamentares da oposição têm intensificado a mobilização no Senado para tentar modificar ou barrar a proposta.

Plínio reforça aproximação com campo conservador

O posicionamento de Plínio Valério também é visto como mais um movimento de aproximação com lideranças da direita nacional, especialmente com o grupo político ligado a Flávio Bolsonaro e ao Partido Liberal. A assinatura da PEC ocorre em meio às articulações para as eleições de 2026, quando diferentes correntes conservadoras buscam ampliar espaço no Congresso Nacional e disputar protagonismo no cenário político brasileiro.

Com o tema avançando para debate no Senado, a jornada de trabalho deve se transformar em uma das pautas mais polêmicas do Congresso nos próximos meses, colocando em lados opostos parlamentares que defendem a ampliação de direitos trabalhistas e aqueles que apostam em modelos mais flexíveis de contratação.