Por: Manuel Menezes
Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que usará a “arma da palavra” para enfrentar as medidas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a declaração pode soar bem em um palanque. Mas, para quem produz, exporta e gera empregos, especialmente na Zona Franca de Manaus, discursos não substituem resultados.
O mundo vive uma nova fase de disputas comerciais, em que decisões são tomadas com base em interesses econômicos, estratégicos e geopolíticos. Nenhuma potência muda sua política apenas porque ouviu um bom discurso. Relações internacionais exigem negociação, diplomacia eficiente e capacidade de defender os interesses nacionais com firmeza.
O Amazonas sabe muito bem o peso dessas decisões. O Polo Industrial de Manaus depende da estabilidade econômica e da competitividade para manter investimentos e preservar milhares de empregos. Sempre que uma tensão comercial surge entre grandes economias, seus reflexos acabam chegando à indústria brasileira e, consequentemente, ao trabalhador amazonense.
É justamente por isso que o Brasil precisa apresentar um plano consistente. O momento exige diálogo técnico com autoridades norte-americanas, articulação com o setor produtivo, fortalecimento da política externa e busca por novos mercados para reduzir a dependência de poucos parceiros comerciais.
Não se trata de defender confronto ou submissão. Trata-se de defender os interesses do Brasil. Um chefe de Estado deve agir com responsabilidade, sabendo que suas palavras têm peso, mas que, sozinhas, não alteram tarifas, não protegem exportações e não garantem empregos.
Os brasileiros esperam mais do que frases de efeito. Esperam ações concretas capazes de preservar a economia nacional e oferecer segurança aos empresários que investem e aos trabalhadores que dependem desses investimentos para sustentar suas famílias.
Na política, discursos podem render manchetes. Na economia, porém, são as decisões concretas que definem o futuro de um país.
O Brasil precisa de menos retórica e mais estratégia. Afinal, quando empregos, investimentos e a competitividade nacional estão em jogo, o que realmente faz diferença não é a força das palavras, mas a eficácia das ações.











