OAB-DF abre processo ético-disciplinar contra escritório ligado à família de Alexandre de Moraes após revelações da PF

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Procedimento mira sócios do Barci de Moraes e surge após divulgação de relatório da Polícia Federal relacionado ao Banco Master; escritório contesta iniciativa, enquanto Ordem afirma que apuração terá sigilo, contraditório e ampla defesa

Por: Redação MVE
Brasília (DF) — 9 de setembro de 2026

A crise envolvendo o Banco Master ganhou um novo capítulo. A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF) determinou, na noite desta terça-feira (8), a abertura de procedimento ético-disciplinar contra sócios do escritório Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

A decisão foi comunicada pelo presidente da OAB-DF, Paulo Maurício Siqueira, durante sessão extraordinária do Conselho Pleno. Segundo a entidade, a medida leva em consideração fatos que vieram a público em relatório da Polícia Federal relacionado às investigações do caso Banco Master.

A abertura do procedimento, porém, não representa condenação nem reconhecimento antecipado de culpa. A própria OAB-DF ressaltou que a apuração será conduzida sob sigilo e deverá assegurar aos envolvidos contraditório, ampla defesa e oportunidade de demonstrar os serviços prestados e a regularidade das contratações.

Relatório da PF está no centro da apuração

O procedimento surge depois da divulgação de informações constantes de relatório da Polícia Federal envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Segundo as reportagens que tiveram acesso ao material, a investigação recuperou mensagens enviadas por Vorcaro para um contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Parte do conteúdo trataria de assuntos relacionados ao Banco Master e ao contrato firmado com o escritório da família do ministro.

Há, contudo, uma ressalva relevante: segundo o UOL, em diversos episódios as respostas atribuídas a Moraes eram enviadas em formato que não foi recuperado pela investigação. Dessa forma, parte do relatório revela solicitações feitas por Vorcaro, mas não permite estabelecer, em todos os casos, qual teria sido a resposta do ministro nem se os pedidos foram atendidos.

Contrato milionário com Banco Master entra no foco

Outro ponto que ganhou destaque é o contrato envolvendo o Banco Master e o escritório.

Reportagens baseadas no relatório da PF apontam um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões entre o banco e o escritório ligado à família de Moraes. A Folha informou que o relatório também atribui ao ministro edições feitas no documento.

São justamente os fatos tornados públicos no relatório policial que serviram de fundamento para a decisão da OAB-DF de iniciar sua própria apuração no campo ético-profissional.

O procedimento deverá verificar se houve alguma violação às regras que disciplinam o exercício da advocacia. A análise ficará no âmbito institucional da Ordem e seguirá as etapas previstas para processos dessa natureza.

Presidente da OAB-DF fala em dever de apuração

Ao anunciar a decisão, Paulo Maurício Siqueira adotou um discurso firme sobre a responsabilidade institucional da Ordem diante das informações reveladas.

“A advocacia não é meio para cometimento de crimes.”

O presidente acrescentou que a OAB-DF tem o dever de investigar os fatos relacionados às sociedades de advocacia inscritas na seccional.

A declaração, no entanto, não equivale à conclusão de que algum crime tenha sido cometido pelos investigados. A apuração disciplinar foi aberta justamente para examinar os fatos e permitir a manifestação dos envolvidos.

Advogado Ciro Soares também será investigado

A OAB-DF determinou ainda a abertura de outro procedimento ético-disciplinar contra o advogado Ciro Soares.

De acordo com a entidade, a decisão também decorre de informações presentes no relatório da Polícia Federal relacionadas à atuação profissional do advogado. Reportagens sobre o documento afirmam que Soares aparece em suposta interlocução envolvendo Vorcaro e autoridades.

A Ordem informou que esse procedimento igualmente ficará submetido ao sigilo e às garantias de defesa.

Escritório reage e fala em contexto eleitoral

O Barci de Moraes reagiu à abertura do procedimento.

Em nota divulgada após a decisão, o escritório afirmou que as questões já teriam sido analisadas e arquivadas pela Procuradoria-Geral da República e criticou sua utilização no que classificou como um contexto eleitoral dentro da OAB-DF. Também afirmou esperar esclarecimentos do presidente da seccional e mencionou a possibilidade de adoção de medidas cabíveis.

A manifestação representa a versão da defesa e deverá fazer parte do debate em torno da regularidade dos fatos agora submetidos à análise disciplinar.

Caso Master amplia pressão sobre as instituições

A abertura do procedimento ocorre em meio a uma crise institucional mais ampla provocada pelos desdobramentos do caso Banco Master.

A divulgação do relatório da Polícia Federal intensificou as tensões no Supremo e produziu embates envolvendo Moraes, o ministro André Mendonça, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

A repercussão já ultrapassou o meio jurídico. Entidades empresariais e representantes da sociedade civil passaram a defender publicamente apuração rigorosa dos fatos, transparência e fortalecimento dos mecanismos de integridade das instituições.

Agora, investigação da OAB seguirá seu próprio caminho

Com a instauração do procedimento, caberá à OAB-DF examinar especificamente os aspectos relacionados ao exercício profissional da advocacia.

A entidade deixou claro que os investigados terão direito à defesa e que a instauração do processo não significa antecipação de culpa. Também afirmou que outros casos poderão ser analisados caso sejam apresentados elementos mínimos que justifiquem novas apurações.

Assim, o caso entra em uma nova fase: além das discussões envolvendo Polícia Federal, PGR e Supremo Tribunal Federal, as informações reveladas na investigação passam agora pelo escrutínio da própria entidade responsável pela fiscalização ética da advocacia no Distrito Federal.