Por Manuel Menezes
Uma coisa é fazer jornalismo. Outra é aproveitar a ausência de um candidato em uma entrevista para lançar sobre ele uma dúvida política que vai muito além daquele episódio.
Felipe Lobo não compareceu à entrevista marcada. Isso é fato, pode ser informado, cobrado e questionado. Jornalismo também é cobrança.
O problema começa quando a informação deixa de ser apenas informação.
No vídeo, após registrar a ausência de Felipe, Lucas Lobo não se limita a dizer que o candidato não compareceu e que não havia conseguido contato até aquele momento. Ele vai além e pergunta: “Esse é o compromisso de um deputado estadual? Será que vai ter compromisso se eleito?”
É aí que cabe uma pergunta igualmente direta: isso é apenas informação ou já é julgamento político?
Uma entrevista perdida, por qualquer que seja a razão, é suficiente para colocar sob suspeita o compromisso futuro de alguém que sequer exerceu mandato?
Felipe Lobo é estreante na disputa eleitoral. Portanto, seu compromisso com a população deve ser discutido a partir de sua trajetória, suas propostas, seus atos e daquilo que apresenta ao eleitor — e não reduzido a uma cadeira vazia em um estúdio.
Se o objetivo da entrevista era justamente permitir que o eleitor conhecesse melhor Felipe, o caminho jornalístico mais equilibrado seria registrar sua ausência, informar as tentativas de contato e deixar aberta a oportunidade para que o candidato explicasse o ocorrido.
Cobrar é legítimo. Criticar também. Mas transformar uma ausência em questionamento sobre o compromisso de um eventual mandato é outra coisa.
E justamente em período eleitoral, quando cada palavra pode repercutir sobre a imagem de um candidato, separar informação de opinião se torna ainda mais importante.
Felipe pode e deve responder por suas escolhas, inclusive quando deixa de comparecer a um compromisso. Mas também merece ser avaliado pelo conjunto de sua trajetória e de suas propostas, e não ter seu futuro político antecipadamente colocado em dúvida por causa de um episódio isolado.
No fim, o eleitor não precisa que ninguém decida antecipadamente quem tem ou não compromisso.
Precisa de informação, das diferentes versões dos fatos e de liberdade para chegar à própria conclusão.
Lucas não se limitou a informar a ausência de Felipe Lobo: transformou um episódio isolado em julgamento sobre seu compromisso futuro. Cobrar é jornalismo; antecipar uma condenação política é outra coisa.
Assista ao vídeo abaixo e tire suas próprias conclusões.
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