Por: Manuel Menezes
As recentes greves nas universidades federais brasileiras expõem, de forma clara, os limites da atual condução da política educacional sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O que se observa não é um episódio isolado, mas um sintoma de uma crise mais ampla de gestão, planejamento e capacidade de resposta às demandas do ensino superior público.
Em diversos momentos, mais de 50 universidades chegaram a registrar paralisações totais ou parciais, interrompendo atividades acadêmicas, afetando milhões de estudantes e comprometendo o calendário letivo em diferentes regiões do país. O impacto direto recai sobre a população, especialmente sobre jovens que dependem exclusivamente do sistema público para acessar o ensino superior.
As reivindicações apresentadas por professores e técnicos administrativos são legítimas e fazem parte do ambiente democrático de negociação. No entanto, o que chama atenção é a incapacidade do governo federal de antecipar, prevenir e conduzir soluções estruturais que evitem a repetição de crises dessa magnitude no setor.
O resultado é um cenário de instabilidade recorrente, no qual universidades operam sob pressão orçamentária, insegurança administrativa e ausência de previsibilidade, fatores que comprometem diretamente a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão.
A crise também escancara um problema central: a distância entre o discurso de valorização da educação e a prática efetiva de gestão. Enquanto o governo federal afirma priorizar o ensino superior, o que se vê na prática é um sistema fragilizado, sujeito a paralisações prolongadas e a disputas constantes por recomposição de recursos.
O impacto político é inevitável. As greves reacendem o debate sobre eficiência administrativa, responsabilidade fiscal e capacidade de coordenação do Executivo federal na área da educação. Mais do que uma disputa sindical, trata-se de um teste de governança.
É necessário reconhecer a importância estratégica das universidades federais para o desenvolvimento do país. No entanto, também é indispensável cobrar do governo federal uma postura mais firme, técnica e eficaz na condução dessas instituições, evitando que crises recorrentes se tornem parte da rotina do sistema educacional.
O Brasil não pode normalizar a instabilidade no ensino superior público. A educação exige planejamento, previsibilidade e gestão responsável — e é justamente nesse ponto que o governo federal precisa apresentar respostas mais consistentes.











