Por Manuel Menezes
A eleição acabou. Felipe Lobo não conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Esse é o fato.
Mas existe uma pergunta que Humaitá não deveria varrer para debaixo do tapete:
Felipe perdeu sozinho?
Ou Humaitá também deixou escapar uma oportunidade?
Felipe Lobo disputou pela primeira vez uma eleição para deputado estadual e alcançou 11.133 votos, conforme o resultado do TSE apresentado após a apuração.
Faltou o mandato.
E é justamente aí que começa a reflexão.
Votar em outro candidato é direito. Questionar a consequência também é.
Ninguém é obrigado a votar em candidato simplesmente porque ele nasceu em Humaitá. O voto é livre, individual e deve ser respeitado.
Mas respeitar a liberdade do eleitor não significa proibir uma discussão sobre estratégia política.
Muitos moradores de Humaitá escolheram candidatos com bases eleitorais em outros municípios. É legítimo.
A pergunta é outra:
quando os interesses dessas diferentes cidades estiverem disputando espaço, atenção política e emendas, qual município será naturalmente a prioridade de cada parlamentar?
Isso não significa afirmar que deputados de fora abandonarão Humaitá. Deputado estadual é eleito para representar todo o Amazonas.
Mas existe diferença entre poder ajudar Humaitá e ter em Humaitá a própria base política, a própria história e uma cobrança permanente dos moradores.
É essa diferença que merece ser discutida.
E quando Humaitá precisar?
Quando faltar dinheiro para infraestrutura, quem será cobrado?
Quando a saúde precisar de reforço, quem receberá a cobrança diretamente?
Quando produtores, pescadores e comunidades rurais precisarem levar suas demandas até Manaus, quem terá Humaitá no centro de sua atuação política?
Quando diferentes municípios disputarem recursos e atenção do Estado, quem estará dentro da Aleam dizendo: “Humaitá é minha terra e essa é minha responsabilidade”?
Essas perguntas não são ataques ao eleitor.
São perguntas sobre representação.
Foram 11.133 votos. E faltou chegar lá.
Há quem veja apenas uma derrota.
Eu vejo também uma oportunidade que precisa ser analisada.
Felipe chegou a 11.133 votos em sua primeira candidatura. Milhares de pessoas acreditaram que Humaitá poderia ter uma voz diretamente ligada ao município dentro da Assembleia.
Outras fizeram escolhas diferentes.
Todos exerceram democraticamente seu direito.
Agora, porém, chega o momento em que a urna deixa de falar e começa a realidade dos próximos quatro anos.
E cada cidadão poderá observar se os candidatos que receberam votos em Humaitá estarão presentes também depois da eleição.
Essa será a verdadeira resposta.
A urna fechou. A cobrança começa agora.
Não adianta transformar essa discussão em briga entre vencedores e derrotados.
Humaitá precisa transformá-la em cobrança.
Quem recebeu voto no município — seja de Humaitá ou de qualquer outra cidade — precisa ser lembrado desses votos durante os próximos quatro anos.
Volte a Humaitá. Traga emendas. Defenda nossas estradas. Ajude nossa saúde. Apoie nossa produção. Olhe para nossas comunidades.
Porque voto recebido também cria responsabilidade política.
Felipe Lobo não conseguiu o mandato.
Mas os 11.133 votos mostram que existiu uma parcela expressiva do eleitorado disposta a apostar em sua candidatura.
A história dirá o que ele fará com essa base.
E também mostrará o que farão por Humaitá aqueles que receberam votos daqui e conquistaram seus mandatos.
Por isso, depois de toda comemoração, provocação ou disputa eleitoral, sobra uma pergunta muito simples:
Felipe Lobo perdeu a eleição. Mas Humaitá ganhou o quê?
Daqui a quatro anos, talvez seja possível responder.
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