FAB recebe novo caça Gripen e governo prevê investimento bilionário para fortalecer defesa aérea brasileira

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Entrega do primeiro Gripen F marca nova etapa da modernização da Força Aérea Brasileira, enquanto orçamento de 2026 reserva R$ 2,1 bilhões para o programa

Por: Redação MVE

A modernização da defesa aérea brasileira ganhou um novo capítulo com a entrega do primeiro caça F-39 Gripen F, modelo de última geração desenvolvido pela fabricante sueca Saab em parceria com o Brasil. A aeronave foi oficialmente incorporada à Força Aérea Brasileira (FAB) e simboliza o avanço de um dos maiores programas de transferência de tecnologia já realizados pelo país na área de defesa.

O reforço na frota chega em um momento em que o governo federal prevê ampliar os investimentos no setor. De acordo com o orçamento do Ministério da Defesa, estão reservados R$ 2,1 bilhões para o programa F-X2 em 2026, valor destinado à continuidade da aquisição dos caças Gripen, à entrega de novas aeronaves e ao avanço das etapas de produção previstas para os próximos anos.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Defesa, R$ 1,357 bilhão já constam na Lei Orçamentária Anual de 2026, enquanto outros R$ 739,5 milhões foram incluídos por meio de portaria do Ministério do Planejamento e Orçamento. Os recursos permitirão a entrega de novas unidades e garantirão a continuidade do cronograma estabelecido para a renovação da aviação de combate brasileira.

O Gripen F entregue à FAB é a versão biposto da aeronave, permitindo a operação por piloto e copiloto. O modelo é considerado fundamental para treinamento avançado e capacitação de novos aviadores militares. O Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a operar essa versão em sua força aérea. Já o Gripen E, também incorporado ao programa, é a versão monoposto destinada principalmente a missões de combate.

O projeto Gripen nasceu a partir do acordo firmado entre Brasil e Suécia em 2014. O contrato original prevê a entrega de 36 aeronaves até 2032 e inclui ampla transferência de tecnologia para a indústria nacional. Parte dos caças está sendo produzida em território brasileiro, principalmente nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.

Além do fortalecimento da capacidade militar, o programa tem impacto direto na economia e na indústria nacional. Dados do governo federal apontam que cerca de 350 engenheiros brasileiros foram capacitados na Suécia durante o processo de transferência tecnológica. A iniciativa também é responsável pela geração de aproximadamente 12 mil empregos diretos e indiretos ligados ao setor aeroespacial brasileiro.

A importância estratégica do projeto ficou ainda mais evidente após a apresentação do primeiro Gripen montado em solo brasileiro. Com isso, o Brasil passou a integrar um grupo seleto de países capazes de participar do processo de fabricação de aeronaves supersônicas de combate, reduzindo a dependência externa em tecnologias consideradas sensíveis para a soberania nacional.

Paralelamente ao contrato original, Brasil e Suécia iniciaram negociações para ampliar a frota nacional. Uma carta de intenções assinada recentemente prevê a possibilidade de aquisição de até mais 20 aeronaves Gripen E/F, ampliando significativamente a capacidade operacional da FAB nos próximos anos. Embora o novo contrato ainda não tenha sido formalizado, a fabricante Saab confirmou que está pronta para avançar nas negociações.

O investimento ocorre em um contexto de redução gradual da frota militar brasileira ao longo da última década. Dados da própria FAB apontam que houve diminuição significativa do número de aeronaves operacionais entre 2014 e 2025, tornando a renovação da aviação de combate uma prioridade estratégica para o país.

Com tecnologia avançada, alta capacidade de combate e participação crescente da indústria nacional em sua produção, o programa Gripen é visto pelo governo e pelas Forças Armadas como um dos pilares da modernização da defesa brasileira. A chegada das novas aeronaves reforça não apenas a segurança do espaço aéreo nacional, mas também o desenvolvimento tecnológico e industrial do país para as próximas décadas.