Por: Manuel Menezes
A política amazonense caminha para uma das eleições mais importantes de sua história recente. Nos próximos meses, veremos pesquisas sendo divulgadas, alianças sendo costuradas e pré-candidatos percorrendo os municípios em busca do apoio da população. Porém, em meio a esse cenário, uma reflexão se torna cada vez mais necessária: estamos construindo um projeto para o Amazonas ou apenas alimentando a cultura do político de estimação?
Nos últimos anos, as redes sociais transformaram o debate político em uma espécie de disputa entre torcidas organizadas. Para alguns, determinados líderes se tornaram figuras acima de qualquer questionamento. Qualquer crítica é tratada como perseguição. Qualquer cobrança é vista como ataque. E qualquer erro é automaticamente justificado.
Mas a democracia não funciona assim.
Políticos não precisam de fãs. Precisam de fiscalização. Governadores, prefeitos, deputados, senadores e presidentes são eleitos para administrar recursos públicos e atender aos interesses da população. O cargo é temporário. O compromisso com a sociedade deve ser permanente.
O grande risco do político de estimação é que ele enfraquece o debate público. Quando o cidadão perde a capacidade de cobrar quem apoia, abre-se espaço para a acomodação, para a falta de transparência e para a ausência de resultados concretos. Nenhum governante deveria se sentir confortável diante de uma população que apenas aplaude e nunca questiona.
O Amazonas possui desafios enormes. O interior continua enfrentando dificuldades de infraestrutura, saúde e logística. A capital convive com problemas históricos de mobilidade, segurança e planejamento urbano. São questões que exigem soluções sérias, planejamento de longo prazo e responsabilidade administrativa.
Por isso, o eleitor precisa olhar além dos discursos e das paixões políticas. É necessário avaliar propostas, analisar resultados e cobrar compromissos. Afinal, o que está em jogo não é o futuro de um político, mas o futuro de milhões de amazonenses.
O verdadeiro estado de estimação não deve ser um governante ou um grupo político. Deve ser o próprio Amazonas.
Quando a população coloca o estado acima dos interesses partidários, a política evolui. Quando coloca líderes acima dos interesses coletivos, quem perde é a sociedade.
As eleições de 2026 serão uma oportunidade para essa reflexão. Mais importante do que escolher nomes será escolher qual modelo de cidadania queremos fortalecer: o da idolatria política ou o da participação consciente.
O Amazonas merece cidadãos que fiscalizam, cobram e participam. Porque governos passam. Políticos mudam. Mas os problemas e os sonhos da população permanecem.











