Por: [Manuel Menezes]
BRASÍLIA – O cerco da Polícia Federal se fechou contra o deputado federal Adail Filho (Republicanos-AM). Novos desdobramentos de uma investigação sigilosa revelam um esquema de repasses financeiros que somam mais de R$ 18,6 milhões destinados ao município de Coari, reduto político da família Pinheiro. O caso ganhou contornos dramáticos com a prisão de operadores no Aeroporto de Brasília transportando vultosas quantias de dinheiro em espécie sem comprovação de origem.
De acordo com documentos da petição PET 15889/DF, que tramita nas instâncias superiores, a investigação teve origem na prisão em flagrante de três indivíduos — Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho — em posse de uma “quantia expressiva” de dinheiro vivo. A análise judicial de dispositivos eletrônicos apreendidos revelou que empresas vinculadas aos investigados realizavam repasses financeiros em benefício direto de Adail Filho e de seu pai, o ex-prefeito Manoel Adail.
Emendas “Pix” e empresas de fachada sob a lupa da PF
A investigação detalha que as empresas envolvidas mantinham contratos milionários com a Prefeitura de Coari e eram utilizadas como instrumentos para fraudes em processos licitatórios. O esquema, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), era alimentado por recursos públicos oriundos de emendas parlamentares de autoria do próprio Adail Filho, executadas nos anos de 2024 e 2025.
Dados oficiais apontam que, somente em 2024, o deputado empenhou mais de R$ 18,6 milhões para Coari, sendo a maior parte através das polêmicas “Emendas PIX” (Transferência Especial), modalidade que dificulta a fiscalização imediata pelos órgãos de controle. Desse total, cerca de R$ 13 milhões foram enviados em uma única modalidade de transferência direta para o caixa da prefeitura comandada por aliados e familiares.
Conexão Direta com o Mandato Parlamentar
O documento assinado pela PGR é contundente ao afirmar que existe uma “evidente conexão” entre as condutas imputadas e o exercício do mandato de Adail Filho. A relação promíscua entre o envio de verbas federais, a contratação de empresas ligadas aos operadores presos com dinheiro vivo e o retorno financeiro ao núcleo familiar do parlamentar coloca o deputado no centro de uma das maiores investigações de corrupção do Amazonas na atualidade.
A Polícia Federal agora trabalha para rastrear o destino final de cada centavo das emendas empenhadas. O inquérito, que tramita sob sigilo, aponta que o esquema pode ser ainda maior, envolvendo uma rede de lavagem de dinheiro que utiliza o município de Coari como base de operações. Até o fechamento desta edição, a assessoria do parlamentar não havia se manifestado sobre as graves acusações contidas no processo.











