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Desembargadora do TJPA diz que juízes são vistos como ‘bandidos’ e cita ‘regime de escravidão’

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Em desabafo durante sessão, magistrada Vânia Lúcia Silveira criticou o fim de gratificações e afirmou que colegas estão deixando de pagar consultas médicas e remédios.

Uma fala da desembargadora Vânia Lúcia Silveira, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), causou forte repercussão ao descrever o atual clima de tensão entre a magistratura e a opinião pública. Durante uma sessão oficial, a magistrada afirmou que a categoria passou a ser criminalizada pela população e que os cortes de benefícios estão empurrando juízes para uma situação limite.

“Os juízes hoje estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos, pessoas que querem ganhar muito sem fazer nada”, desabafou a desembargadora.

O impacto no bolso

A magistrada rebateu as críticas sobre os chamados “penduricalhos” — verbas que complementam o subsídio dos juízes. Segundo Silveira, o corte de gratificações por direção de fóruns e de auxílios, como o alimentação, tem gerado dificuldades financeiras reais nos gabinetes.

De acordo com o relato, a crise teria chegado ao ponto de afetar a saúde dos magistrados. “Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de médicos porque não vão poder pagar consulta. Outros estão deixando de tomar remédios”, afirmou.

‘Trabalho escravo’ e carga horária

Para a desembargadora, a visão de que o Judiciário trabalha pouco é distorcida. Ela defendeu que a carga horária ultrapassa os expedientes oficiais, avançando por noites e finais de semana em sistemas de plantão e plenários virtuais.

Ao projetar o futuro da carreira com as restrições orçamentárias, a magistrada fez uma comparação polêmica: “Daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”.

Reações

A declaração ocorre em meio a um debate nacional sobre a transparência dos supersalários no Judiciário e o teto constitucional. Enquanto associações de classe argumentam que a falta de valorização afasta talentos da magistratura, críticos apontam que os vencimentos da categoria permanecem muito acima da realidade econômica da maioria dos brasileiros.

O Tribunal de Justiça do Pará ainda não emitiu nota oficial sobre as declarações da desembargadora.