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Lula pede levantamento de cargos para possível retaliação após derrotas no Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ao Palácio do Planalto um mapeamento completo de cargos ocupados por indicações do Centrão e de partidos aliados dentro da estrutura federal após sofrer novas derrotas no Congresso Nacional. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e aponta para um movimento de pressão política do governo sobre parlamentares considerados infiéis nas votações recentes. Segundo a reportagem, o levantamento tem como objetivo identificar quais grupos políticos controlam espaços estratégicos na máquina pública e avaliar possíveis substituições em cargos federais. A medida surge em meio ao desgaste da relação entre o Planalto e parte da base aliada, especialmente após a derrubada de vetos presidenciais e derrotas em pautas importantes para o governo. Mesmo diante da tensão política, o presidente decidiu adotar cautela em relação ao senador Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado e um dos principais articuladores das recentes movimentações do Congresso. De acordo com a Folha, aliados de Lula avaliam que, apesar das divergências, Alcolumbre ainda é peça central para garantir governabilidade e evitar uma crise institucional ainda maior. Nos bastidores de Brasília, integrantes do governo demonstram irritação principalmente com partidos que ocupam ministérios e cargos de segundo escalão, mas que votaram contra interesses do Planalto em temas considerados estratégicos. A avaliação dentro do governo é de que parte da base tem mantido apoio apenas “formal”, sem garantir fidelidade nas votações decisivas. A crise ganhou força após derrotas envolvendo projetos e vetos presidenciais ligados à segurança pública e à chamada “Lei da Dosimetria”, proposta associada às penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro. O Congresso derrubou vetos do presidente e promulgou mudanças na legislação penal, impondo um revés político ao Planalto. Apesar da pressão interna por uma reação mais dura, Lula tenta equilibrar o discurso para evitar rompimentos definitivos com lideranças do Centrão. Interlocutores do governo afirmam que o presidente entende a necessidade de manter diálogo com o Congresso para preservar a aprovação de projetos econômicos e sociais considerados prioritários para 2026. Nos corredores do Congresso, parlamentares avaliam que a possível redistribuição de cargos pode intensificar a disputa por espaço político dentro do governo federal. Lideranças do Centrão, porém, afirmam reservadamente que o Planalto depende da articulação do bloco para manter estabilidade e aprovar matérias importantes até o fim do mandato.