Mais de 70 policiais militares presos foram transferidos nesta terça-feira para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM-AM), localizada na BR-174, zona rural de Manaus. A operação marcou o encerramento das atividades do antigo Núcleo Prisional da PM, no bairro Monte das Oliveiras, na zona norte da capital.
A transferência ocorreu durante a Operação Sentinela Maior, ação coordenada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Segundo as autoridades, o objetivo é reforçar a segurança e reorganizar o sistema de custódia militar no Estado.
Os policiais estavam custodiados no antigo núcleo prisional da PM, estrutura considerada provisória e alvo de críticas após a fuga de 23 detentos registrada em fevereiro deste ano. O episódio provocou forte repercussão no Amazonas e levou à abertura de investigações internas e procedimentos conduzidos pelo Ministério Público.
Nova unidade funciona ao lado do Compaj
Os custodiados foram levados para a nova UPPM-AM, instalada no prédio onde anteriormente funcionava o Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec), em área próxima ao Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na BR-174.
De acordo com o Ministério Público, a nova estrutura oferece:
- maior controle administrativo;
- reforço na segurança;
- monitoramento mais rígido;
- e melhores condições de custódia para os presos militares.
A expectativa das autoridades é que o antigo núcleo prisional seja oficialmente desativado após a conclusão da transferência de todos os custodiados.
Operação teve protestos e resistência
A remoção dos presos foi marcada por momentos de tensão ao longo da manhã.
Familiares dos policiais militares tentaram impedir a saída dos ônibus utilizados na transferência e chegaram a se posicionar em frente aos veículos durante o início da operação. Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram protestos e tumultos na área externa da antiga unidade prisional.
Segundo advogados ligados aos custodiados, familiares temem que os policiais sejam futuramente enviados para presídios comuns, situação considerada de risco à integridade física dos militares presos.
As negociações duraram cerca de seis horas e envolveram mais de 100 agentes de segurança, além de equipes especializadas da PMAM e da Seap.
Fuga de PMs provocou crise no sistema prisional militar
A operação foi desencadeada após a fuga de 23 policiais militares do antigo núcleo prisional da PM em fevereiro deste ano.
Na época, a corporação confirmou que os presos deixaram a unidade durante a madrugada. Parte dos detentos retornou espontaneamente horas depois, enquanto outros reapareceram no dia seguinte.
As investigações resultaram:
- na prisão de policiais suspeitos de facilitar a fuga;
- na prisão preventiva do então diretor da unidade;
- e em mudanças administrativas dentro da Polícia Militar do Amazonas.
O Ministério Público informou que a Operação Sentinela Maior surgiu justamente após a identificação de falhas estruturais e operacionais consideradas graves no antigo sistema de custódia militar.
Levantamento revela perfil dos presos transferidos

Dados divulgados após a transferência apontam que a nova unidade já concentra mais de 80 custodiados.
Segundo levantamento obtido pela imprensa, os principais crimes atribuídos aos presos militares são:
- homicídio;
- crimes sexuais;
- roubo;
- extorsão;
- e sequestro.
Somente os casos de homicídio representam mais de 33% dos internos atualmente custodiados na nova unidade prisional militar do Amazonas.
O Ministério Público informou que continuará acompanhando o funcionamento da nova estrutura e fiscalizando as condições de custódia dos policiais militares presos.











