“Vorcaro do Paraguai”: banqueiro de 36 anos é preso após colapso bilionário que abalou governo e levou presidente à renúncia

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Fundador do Ueno Bank, Miguel Vázquez comandava conglomerado empresarial com 28 empresas; investigações apontam empréstimos irregulares, crise financeira e ligações políticas que atingiram o alto escalão do Paraguai.

Por Redação MVE

Um escândalo financeiro de grandes proporções provocou uma crise política no Paraguai e colocou o empresário Federico Miguel Vázquez Villasanti, de 36 anos, fundador do Ueno Bank, no centro das investigações. Apelidado pela imprensa de “Vorcaro do Paraguai”, em referência ao banqueiro brasileiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Vázquez foi preso preventivamente após o colapso da instituição financeira.

A crise ganhou dimensão nacional e contribuiu para a renúncia do presidente paraguaio Santiago Peña, anunciada na quinta-feira (5), diante da pressão política e das suspeitas envolvendo suas antigas relações empresariais com o grupo controlador do banco.

De empresário milionário ao centro de uma investigação

Miguel Vázquez assumiu os negócios financeiros da família e transformou a antiga Credicentro no Ueno Bank, instituição digital que alcançou aproximadamente 3 milhões de clientes e acumulou cerca de US$ 2,8 bilhões em depósitos.

O empresário também comandava o Grupo Vázquez, conglomerado com participação em 28 empresas de setores como tecnologia, seguros, agropecuária, comércio e serviços financeiros.

Sua ascensão chamou a atenção do mercado. Vázquez pretendia transformar o banco em uma empresa avaliada em mais de US$ 1 bilhão e levar seus negócios à Bolsa de Valores de Nova York.

Entretanto, o crescimento acelerado passou a ser questionado pelas autoridades financeiras paraguaias.

Banco Central identifica irregularidades milionárias

O Banco Central do Paraguai determinou a intervenção e o encerramento das operações do Ueno Bank após identificar problemas graves de solvência e liquidez.

As investigações apontaram mais de US$ 146 milhões em empréstimos considerados irregulares destinados a empresas vinculadas ao próprio grupo controlador.

A deterioração financeira provocou dificuldades para clientes acessarem seus recursos e desencadeou uma operação para proteger depósitos e apurar responsabilidades.

Vázquez está entre os investigados no caso. As suspeitas ainda dependem de apuração judicial definitiva, e não há condenação criminal contra o empresário.

Escândalo atinge presidente do Paraguai

A crise também alcançou o então presidente Santiago Peña, que havia mantido participação societária no Grupo Vázquez até março de 2025.

A oposição levantou suspeitas de conflitos de interesses e favorecimento regulatório, especialmente diante dos elevados recursos públicos administrados pelo Ueno Bank.

Peña negou irregularidades, mas a pressão política aumentou após a intervenção na instituição financeira.

O episódio também provocou a saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central paraguaio. Ele havia ocupado anteriormente a direção do Ueno Bank.

Comparação com Daniel Vorcaro

A imprensa passou a comparar Miguel Vázquez ao empresário brasileiro Daniel Vorcaro, conhecido pelo caso envolvendo o Banco Master.

A associação está relacionada à rápida expansão de instituições financeiras, à proximidade com figuras políticas e aos questionamentos sobre operações bancárias.

Apesar das semelhanças apontadas nas reportagens, os casos envolvem instituições, investigações e legislações diferentes, sem comprovação de ligação entre os dois empresários.

Crise deixa alerta sobre fiscalização bancária

O colapso do Ueno Bank levantou questionamentos sobre a fiscalização das instituições financeiras e a relação entre grandes grupos econômicos e autoridades políticas.

Além das investigações criminais, o governo paraguaio enfrenta o desafio de proteger os depositantes e evitar que a crise comprometa a confiança no sistema bancário nacional.

O caso demonstra como problemas de fiscalização e suspeitas de irregularidades financeiras podem ultrapassar os limites do mercado e provocar consequências políticas em todo um país.