BRASÍLIA – O escândalo envolvendo a família Pinheiro e a apreensão de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo ganhou um novo e explosivo capítulo. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura oficial de investigação contra o deputado federal Adail Filho (Republicanos-AM), sob suspeita de que parte dos valores encontrados em malas no Aeroporto de Brasília seria destinada ao parlamentar e ao seu pai, o prefeito de Coari, Adail Pinheiro.
A investigação, que agora corre sob o guarda-chuva da Suprema Corte, baseia-se na análise detalhada de documentos e aparelhos eletrônicos apreendidos com os empresários Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho. Os dados revelam repasses financeiros diretos das empresas do trio para o núcleo familiar de Adail Filho, configurando indícios robustos de um esquema de “retorno” de verbas públicas.
Empresas “Faz Tudo” e Contratos Milionários
Um dos pontos centrais que chamou a atenção da Polícia Federal e do ministro Moraes é o uso da empresa Comercial CJ, de propriedade de Cesar de Jesus. Embora registrada como comércio de alimentos, a empresa recebeu mais de R$ 2,5 milhões da Prefeitura de Coari para fornecer materiais diversos, como tecidos e calçados — uma característica clássica de empresas de fachada utilizadas para escoar recursos públicos.
O esquema operaria em duas pontas: Adail Filho destinaria milhões em emendas parlamentares para Coari e, em contrapartida, as empresas contratadas pela prefeitura (sob gestão de seu pai) realizariam os repasses de volta ao grupo político. Moraes destacou que existe uma “evidente conexão” entre o envio de vultosos recursos federais por Adail Filho e as condutas criminosas investigadas.
Cerco Fechado e Silêncio do Parlamentar
A decisão judicial sublinha que os contratos firmados entre as empresas do trio e o município de Coari foram realizados de forma fraudulenta, visando burlar licitações. Com a quebra do sigilo e a análise dos fluxos financeiros, a PF busca agora mapear a extensão total do benefício recebido pela família Pinheiro.
Até o momento, a assessoria de Adail Filho não se manifestou sobre as graves acusações e a abertura do inquérito no STF. O espaço segue aberto para o contraditório. Enquanto isso, o clima em Coari e nos corredores do Congresso é de apreensão, já que os desdobramentos podem levar a pedidos de cassação e novas diligências policiais no Amazonas e no Distrito Federal.
Acompanhe o portal para mais atualizações exclusivas sobre este caso que abala o cenário político amazonense.











