MANAUS, AM – O que separa o suor do servidor público amazonense de um prejuízo de R$ 50 milhões? No cenário atual, apenas a vontade política e decisões que beiram a irresponsabilidade técnica. O escândalo das aplicações da Amazonprev no Banco Master não é apenas um “erro de cálculo”; é o retrato fiel de como indicações políticas em órgãos técnicos podem transformar o futuro de milhares de famílias em uma moeda de troca arriscada.
A representação do Ministério Público de Contas (MPC-AM) é um soco no estômago da transparência. O documento detalha que a fundação ignorou avisos de seus próprios conselheiros para injetar uma fortuna em uma instituição que, pouco tempo depois, foi liquidada pelo Banco Central por “grave crise de liquidez”. Onde estava a prudência? Para o MPC, o que houve foi um “erro grosseiro”, uma cegueira deliberada diante do risco iminente.
Laços de Família e Blindagem Política
A polêmica ganha contornos ainda mais obscuros quando nomes de peso da política local aparecem nos bastidores. A presença de Francisco Evilázio Nascimento — irmão de um dos políticos mais influentes do estado, Alfredo Nascimento — na presidência da Amazonprev levanta questionamentos incômodos sobre os critérios reais dessas aplicações.
Por que visitar a sede do banco em São Paulo para “verificar lastro” se, tecnicamente, o banco já caminhava para o abismo financeiro? As fotos de sorrisos e apertos de mão em gabinetes luxuosos de São Paulo contrastam com a angústia do aposentado em Manaus, que agora vê seu fundo de reserva ser usado como capital de risco em bancos que não possuem sequer a cobertura total do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Em documento encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), em fevereiro deste ano, os procuradores destacam a “gravidade de se investir recursos em instituição que, à época da realização do investimento (06.06.2024), já poderia enfrentar dificuldades sistêmicas de liquidez e cuja própria liquidação extrajudicial veio a ser decretada em tempo relativamente próximo às operações realizadas”.
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O Silêncio dos Culpados e o Risco do Amanhã
Enquanto o governo Wilson Lima mantém indicados em cargos estratégicos, o cerco do STF e do TCE aperta. O esquema de emendas “PIX” e repasses suspeitos, como os que envolvem a família Pinheiro em Coari, mostra que o Amazonas vive um ciclo vicioso onde o dinheiro público entra por uma porta e sai por malas em aeroportos.
A Amazonprev, que deveria ser a fortaleza do trabalhador, tornou-se um balcão de negócios onde a “gestão cuidadosa” prometida em estatutos foi substituída por respostas genéricas e omissões graves perante os órgãos de controle. Se o Tribunal de Contas não agir com o rigor que o caso exige, o “erro grosseiro” de hoje será a falência social de amanhã.
O povo amazonense exige respostas: quem vai pagar a conta se os R$ 50 milhões nunca voltarem?











