Por: [Manuel Menezes]
O que deveria ser uma operação de rotina da Polícia Federal (PF) no exterior transformou-se em um dos maiores embaraços diplomáticos da história recente do Brasil. O governo dos Estados Unidos solicitou formalmente a saída imediata do delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação da PF junto ao ICE (Immigration and Customs Enforcement). A expulsão ocorre após a justiça americana identificar que o delegado tentou instrumentalizar as leis de imigração dos EUA para fins de perseguição política.
Narrativa da PF desmorona em 48 horas
O incidente é um desdobramento direto da prisão do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, ocorrida no último dia 13 de abril. Na data, a cúpula da PF, sob o comando de Andrei Rodrigues, celebrou a detenção como o resultado de um “monitoramento de inteligência contra um foragido”. Entretanto, a versão brasileira foi rapidamente desmentida pelas autoridades de Washington.
Ramagem foi libertado por um juiz federal americano sem a necessidade de fiança, após comprovar que sua permanência nos Estados Unidos é rigorosamente legal e que ele possui um pedido de asilo político em tramitação. A gota d’água para o Departamento de Estado foi a descoberta de que o delegado brasileiro teria omitido informações e forçado uma interpretação de “irregularidade” para provocar a prisão de um desafeto do atual regime brasileiro.
EUA: “Não aceitamos perseguição política”
Em nota técnica, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental foi enfático ao sinalizar que os Estados Unidos não permitirão a “exportação” de disputas políticas brasileiras para seu território. Ao expulsar o delegado, o governo americano envia um recado direto ao STF e à direção da PF: o sistema migratório dos EUA não servirá de ferramenta para o autoritarismo judicial.
Para especialistas em relações internacionais, o gesto é gravíssimo. “A expulsão de um oficial de ligação é a última instância antes de uma ruptura total de confiança entre agências de inteligência”, afirma um analista consultado pelo portal.
Crise de credibilidade e o “fator Andrei Rodrigues”
A conduta do delegado Marcelo Ivo coloca em xeque a credibilidade internacional da Polícia Federal brasileira. Críticos da atual gestão afirmam que a instituição está sendo “aparelhada” para funcionar como uma guarda pretoriana, focada em perseguir adversários políticos em vez de combater o crime organizado.
Alexandre Ramagem, agora em liberdade, classificou a ação como uma tentativa de sequestro político. “Temos hoje uma PF de jagunços, que não hesita em mentir para governos estrangeiros na tentativa de prender quem o sistema considera um inimigo”, declarou o ex-parlamentar.
Silêncio no Itamaraty e na PF
Até o fechamento desta reportagem, o Ministério das Relações Exteriores e a Direção-Geral da PF não se manifestaram sobre a expulsão do delegado. O silêncio é interpretado em Brasília como uma tentativa de abafar o caso, que expõe a fragilidade das narrativas de “cooperação internacional” sustentadas pelo governo federal para justificar ações contra opositores no exterior.











