Menu

Senador do Amazonas critica órgãos federais após operações contra garimpo em Japurá

WhatsApp
Facebook
Telegram
X
LinkedIn
Email
Ações da Polícia Federal, Ibama e ICMBio no interior do Amazonas geraram tensão na região e provocaram reação de parlamentares, que acusam órgãos federais de excessos durante combate ao garimpo ilegal

Manaus (AM) — Operações realizadas por órgãos federais contra o garimpo ilegal no município de Japurá, no interior do Amazonas, provocaram forte repercussão política e reacenderam o debate sobre a atuação das autoridades ambientais e de segurança na região amazônica.

A reação mais dura veio de parlamentares amazonenses, que passaram a criticar publicamente a condução das operações realizadas pela Polícia Federal, Ibama, ICMBio e forças de segurança em áreas de garimpo ilegal.

As ações fazem parte de uma ofensiva federal para combater crimes ambientais e atividades ilegais na Amazônia, especialmente em regiões de preservação ambiental e territórios próximos a comunidades tradicionais.

Operações destruíram dragas e embarcações

Uma das principais ações ocorreu durante a Operação Yuruparí, realizada pela Polícia Federal e pelo ICMBio na Estação Ecológica Juami-Japurá. Segundo informações oficiais, foram inutilizadas 18 dragas, 12 rebocadores e seis balsas utilizadas no garimpo ilegal.

Já durante a Operação Ágata Amazônia 2026, coordenada pelo Ministério da Defesa com participação da Marinha do Brasil, Ibama, Polícia Federal e Polícia Militar, outras 50 dragas ilegais foram neutralizadas nas regiões de Japurá e Jutaí. O prejuízo estimado ao garimpo ilegal ultrapassa R$ 151 milhões.

Além das dragas, as forças de segurança apreenderam armas, munições, mercúrio, combustível e embarcações utilizadas na atividade criminosa.

Clima de tensão no interior do Amazonas

Após as operações, vídeos e relatos compartilhados nas redes sociais mostraram um clima de tensão em Japurá. Moradores relataram medo, insegurança e preocupação com os impactos econômicos das ações na região.

Parte da população afirma que muitas famílias dependem economicamente das atividades ligadas ao garimpo, ainda que ilegal, e criticam a ausência de alternativas econômicas oferecidas pelo poder público.

As imagens da destruição das dragas também repercutiram entre lideranças políticas do Amazonas, principalmente entre parlamentares ligados a pautas conservadoras e ao setor mineral.

Senadores acusam excessos

As críticas aos órgãos federais não são inéditas. Em 2025, durante diligência no Amazonas, os senadores Damares Alves e Plínio Valério já haviam denunciado supostos abusos cometidos em operações semelhantes realizadas em Humaitá e Manicoré.

Na ocasião, Plínio Valério afirmou que os órgãos ambientais e de fiscalização tratavam trabalhadores da região como criminosos sem considerar a realidade econômica do interior amazônico. Já Damares Alves classificou o cenário encontrado como “caos”.

Os parlamentares defenderam ainda a regulamentação do extrativismo mineral familiar como alternativa para reduzir conflitos entre garimpeiros e órgãos federais.

Governo federal defende combate ao garimpo ilegal

Por outro lado, os órgãos federais afirmam que as operações são fundamentais para combater crimes ambientais, proteger rios amazônicos e impedir danos às populações indígenas e ribeirinhas.

Segundo a Marinha do Brasil, o garimpo ilegal representa uma das maiores ameaças ambientais da Amazônia, principalmente devido à contaminação dos rios por mercúrio e à destruição de ecossistemas fluviais.

A Polícia Federal também informou que as ações seguem critérios previstos na legislação ambiental e fazem parte de um esforço permanente de repressão às atividades ilegais na região amazônica.

Debate político aumenta no Amazonas

A repercussão das operações em Japurá amplia o embate político no Amazonas entre defensores de uma atuação ambiental mais rígida e grupos que defendem maior flexibilização das atividades minerárias na região.

Nos bastidores, o tema já começa a ganhar espaço nas discussões políticas para as eleições de 2026, principalmente entre parlamentares ligados à pauta da exploração mineral e do desenvolvimento econômico da Amazônia.