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Reconfiguração política no Amazonas agita bastidores rumo a eleição 2026

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A política do Amazonas entrou em uma nova fase rumo às eleições de 2026 — e com um movimento que pegou muitos de surpresa. O ex-superintendente da Suframa, Alfredo Menezes, oficializou sua filiação ao Avante, legenda que, no estado, é liderada pelo prefeito de Manaus, David Almeida.

A mudança, por si só, já representa uma reconfiguração importante no tabuleiro político amazonense. No entanto, o impacto mais significativo veio nos bastidores: o rompimento político com seu aliado histórico, Fred Melo.

Durante anos, Menezes e Fred caminharam lado a lado. Desde 2018, a dupla construiu uma parceria sólida dentro do campo conservador, dividindo estratégias, campanhas e articulações políticas. A relação era vista como uma das mais consistentes da direita no estado.

Mas esse ciclo foi interrompido.

Ao optar pelo Avante — partido diretamente ligado ao grupo político de David Almeida — Menezes sinalizou uma mudança estratégica que não encontrou respaldo em seu principal aliado. Nos bastidores, a decisão foi recebida com surpresa e resistência.

Fontes próximas ao grupo apontam que o afastamento foi imediato. Fred Melo não teria concordado com a nova direção adotada por Menezes, considerando a escolha desconectada de sua própria linha política, e decidiu não acompanhá-lo nessa guinada.

Mais do que uma simples troca partidária, a movimentação de Menezes carrega um peso estratégico relevante. Ao se aproximar de David Almeida, ele passa a integrar um novo eixo de poder, com acesso à estrutura política da capital — fator decisivo em um cenário eleitoral cada vez mais competitivo.

Essa reaproximação, no entanto, levanta questionamentos. Até então, Menezes orbitava o campo da direita mais alinhada ao bolsonarismo independente das estruturas locais. Agora, passa a caminhar ao lado de um grupo que, em 2022, apoiou Omar Aziz — adversário direto em sua trajetória recente.

A mudança não passa despercebida por seus apoiadores, que começam a questionar a coerência ideológica do novo posicionamento.

O rompimento com Fred Melo, por sua vez, escancara uma fissura dentro do campo conservador no Amazonas. Em um momento em que o discurso predominante é de união para enfrentar adversários políticos, a fragmentação interna pode redesenhar forças e alianças para 2026.

Nos bastidores, o impacto vai além. A movimentação também pode afetar articulações nacionais. Menezes havia sinalizado interesse em estreitar relações com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência. No entanto, a nova aliança pode dificultar esse alinhamento.

A decisão, portanto, é vista como ousada — e arriscada.

Ao deixar uma posição ideológica consolidada para apostar em uma articulação mais pragmática, Menezes tenta reposicionar seu papel no cenário político. O sucesso dessa estratégia, no entanto, dependerá da capacidade de consolidar novas alianças sem perder sua base de apoio.

Enquanto isso, o distanciamento com Fred Melo simboliza mais do que uma divergência pontual. Marca o fim de um ciclo político iniciado em 2018 e abre espaço para novas composições, interesses e disputas.

Na política, alianças raramente são permanentes.

E no Amazonas, o jogo para 2026 já começou — e com mudanças profundas no tabuleiro.