A decisão da federação formada por Partido dos Trabalhadores (PT), PV e PCdoB de acionar a Justiça Eleitoral para retirar do ar o perfil “Dona Maria”, personagem criada com uso de inteligência artificial, abriu um novo capítulo no embate político digital no Brasil.
O perfil, que viralizou nas redes sociais com vídeos críticos ao governo, acumulou milhões de visualizações e forte engajamento antes de se tornar alvo de ação judicial. Segundo os partidos, o conteúdo configuraria propaganda eleitoral antecipada e uso indevido de tecnologia, incluindo possíveis práticas de “deepfake”.
Personagem viral e reação política
A personagem “Dona Maria”, criada por um motorista de aplicativo, se apresenta como uma “voz do povo” e utiliza linguagem popular para comentar temas políticos. O conteúdo rapidamente ganhou alcance expressivo, ultrapassando dezenas de milhões de visualizações nas redes sociais.
Para os autores da ação, o uso de inteligência artificial para simular uma pessoa real com posicionamentos políticos pode influenciar o eleitorado de forma irregular.
Críticas e acusações de censura
A iniciativa, no entanto, provocou reação imediata de críticos, que enxergam na medida uma tentativa de limitar vozes contrárias no ambiente digital.
Para esses setores, o caso representa um possível avanço sobre a liberdade de expressão nas redes sociais, especialmente quando se trata de conteúdos satíricos ou opinativos, ainda que produzidos com tecnologia.
A discussão se intensifica em um momento em que o uso de inteligência artificial na política cresce rapidamente, trazendo novos desafios para a legislação eleitoral.
Debate sobre limites da tecnologia
Especialistas apontam que o uso de IA em conteúdos políticos ainda é uma zona cinzenta no Brasil, sem regulamentação totalmente consolidada.
De um lado, há preocupação legítima com manipulação de informação e desinformação. De outro, cresce o temor de que regras mais rígidas possam restringir manifestações legítimas de opinião.
Polarização e disputa narrativa
O episódio evidencia o grau de polarização no país, onde disputas políticas ultrapassam o campo institucional e avançam cada vez mais para o ambiente digital.
Entre acusações de propaganda irregular e críticas de censura, o caso “Dona Maria” se transforma em símbolo de um debate maior: até onde vai o controle sobre o que pode — ou não — ser dito nas redes sociais em tempos de disputa política.











