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Planalto vê Trump como ameaça eleitoral e Lula articula estratégia para conter influência americana em 2026

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Governo teme fortalecimento internacional do bolsonarismo e avalia que aproximação da direita brasileira com os EUA pode impactar disputa presidencial

O Palácio do Planalto passou a tratar a influência internacional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um fator estratégico para as eleições brasileiras de 2026. Segundo reportagem do Poder360, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que setores ligados ao bolsonarismo tentam construir uma aproximação política e econômica com o governo americano para fortalecer a direita brasileira na próxima disputa presidencial.

De acordo com integrantes do governo, existe preocupação principalmente com temas ligados à segurança, combate ao crime organizado e exploração de minerais críticos, áreas que vêm sendo usadas pela direita internacional como pauta política e econômica. O Planalto teme que alianças envolvendo interesses estratégicos entre grupos conservadores brasileiros e setores ligados a Trump possam se transformar em ativos eleitorais para a oposição em 2026.

Nos bastidores, aliados de Lula enxergam movimentações recentes de nomes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro como parte de uma tentativa de internacionalizar o discurso conservador brasileiro, aproximando-o do trumpismo americano. A preocupação aumentou após declarações de Trump e de aliados republicanos sobre América Latina, segurança regional e exploração de minerais estratégicos.

O próprio Lula elevou o tom contra Trump nas últimas semanas. Em entrevista à revista alemã Der Spiegel, o presidente brasileiro afirmou que Trump “não foi eleito imperador do mundo” e criticou o comportamento internacional do republicano. Lula também acusou os Estados Unidos de “jogarem errado” na política global e de agirem com postura agressiva nas relações internacionais.

Apesar do discurso duro, o governo brasileiro tenta manter diálogo institucional com Washington. Lula chegou a afirmar recentemente que não teme interferência política de Trump nas eleições brasileiras e ironizou dizendo que isso “o ajudaria muito”. Ainda assim, integrantes do Planalto avaliam reservadamente que a influência do trumpismo pode mobilizar setores conservadores no Brasil, especialmente nas redes sociais.

A estratégia do governo Lula envolve fortalecer pautas nacionais consideradas sensíveis para a soberania brasileira, como o controle de minerais críticos e terras-raras, setor visto como estratégico na disputa geopolítica entre grandes potências. O tema ganhou relevância após discussões envolvendo interesses americanos em áreas minerais brasileiras.

Analistas políticos avaliam que o governo tenta evitar que a eleição de 2026 seja influenciada diretamente pela polarização internacional entre lulismo e trumpismo. A preocupação do Planalto é que a direita brasileira use apoio simbólico vindo dos Estados Unidos como ferramenta de campanha, repetindo estratégias já observadas em eleições anteriores na América Latina.

O cenário ganha ainda mais peso porque Lula já confirmou intenção de disputar a reeleição em 2026, enquanto Jair Bolsonaro segue inelegível até 2030. Mesmo fora da disputa, Bolsonaro continua sendo peça central da direita brasileira e já sinalizou apoio político ao senador Flávio Bolsonaro como possível nome para representar o campo conservador.

Dentro do PT, a avaliação é que o governo precisará disputar não apenas votos, mas também narrativa internacional. Assessores presidenciais consideram que temas como segurança pública, soberania nacional, mineração estratégica e influência estrangeira devem dominar parte importante da campanha presidencial do próximo ano.

O encontro entre Lula e Trump havia sido planejado inicialmente para março, mas foi adiado após a escalada do conflito envolvendo o Irã, tema que pode ser tratado na reunião, embora não conste da pauta oficial.

Desde então, as relações entre Brasil e EUA passaram por novos atritos, com Lula elevando o tom contra Trump.

Eis os principais temas da reunião:

  • combate ao crime organizado;
  • tarifas e comércio bilateral;
  • investigação comercial da Seção 301;
  • minerais críticos e terras-raras;
  • cooperação em segurança;
  • relações econômicas entre Brasil e EUA;
  • possível discussão sobre o conflito no Irã.