Por Manuel Menezes
Toda vez que se fala em educação pública, os discursos costumam vir acompanhados de números, inaugurações, obras e investimentos. Tudo isso é importante. Mas existe uma pergunta simples que precisa ser feita: essas melhorias estão chegando para todos?
O debate realizado na Câmara Municipal de Humaitá mostrou que a resposta ainda está longe de ser um “sim”.
Enquanto a Prefeitura divulga avanços na educação e apresenta novas estruturas, comunidades do interior continuam convivendo com dificuldades que deveriam ter ficado no passado. O relato apresentado pelo vereador Sargento De Macêdo sobre a situação da comunidade Barro Vermelho não é apenas uma reclamação isolada. É um retrato de uma desigualdade que persiste há anos entre a cidade e o interior.
Não faz sentido falar em educação de qualidade quando existem crianças obrigadas a percorrer longas distâncias para estudar ou buscar material escolar. Não faz sentido celebrar indicadores positivos enquanto comunidades inteiras continuam aguardando soluções básicas.
O problema não está apenas na existência de uma escola fechada. O problema é o que essa escola representa.
Quando uma unidade deixa de funcionar, quem paga a conta são as famílias. São os pais agricultores que precisam dividir o tempo entre o trabalho na roça e o acompanhamento dos filhos. São os estudantes que enfrentam dificuldades extras para aprender. São comunidades que acabam ficando para trás enquanto o desenvolvimento acontece em outras regiões.
É evidente que administrar um município com as dimensões de Humaitá não é tarefa simples. Levar educação a comunidades distantes exige recursos, logística e planejamento. Mas justamente por isso o interior não pode ser tratado apenas como pauta de campanha ou lembrado quando surgem reclamações públicas.
A realidade mostra que ainda existe uma espécie de “Amazonas dentro de Humaitá”: um município que aparece nas redes sociais e outro que continua enfrentando problemas básicos longe dos holofotes.
A fala do vereador teve um mérito importante: tirar o assunto do silêncio.
Porque, muitas vezes, o maior problema não é a falta de solução imediata. O maior problema é quando as dificuldades deixam de ser vistas.
A educação do interior precisa ser tratada como prioridade permanente, não como demanda eventual. Não basta construir escolas onde é mais fácil chegar. É preciso garantir que o direito à educação alcance também quem vive nas margens dos rios, nas comunidades rurais e nos locais mais afastados da sede municipal.
Humaitá avançou. Mas os relatos apresentados na Câmara mostram que ainda existe uma distância considerável entre os avanços anunciados e a realidade vivida por parte da população.
E enquanto houver crianças enfrentando obstáculos que outras não enfrentam simplesmente por causa do lugar onde nasceram, a discussão sobre igualdade na educação continuará aberta.











