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Nova lei do Seguro-Defeso endurece regras, amplia regularização e fortalece pescadores artesanais

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Deputado Sidney Leite destaca avanço histórico para trabalhadores da pesca e reforço no combate às fraudes no benefício

Foi sancionada a Lei nº 15.399/2026, que cria novas regras para o Seguro-Defeso, benefício pago aos pescadores artesanais durante os períodos de proibição da pesca para preservação das espécies.

A nova legislação foi publicada nesta terça-feira (5) no Diário Oficial da União e promete mudar significativamente o funcionamento do programa em todo o país.

Relator revisor da proposta na Câmara Federal, o deputado amazonense Sidney Leite afirmou que a sanção representa uma conquista importante para pescadores artesanais da Amazônia e do Brasil, ao mesmo tempo em que fortalece os mecanismos de controle para evitar fraudes.

“Vitória dos pescadores e pescadoras artesanais do Amazonas, da Amazônia e do Brasil. Agora é lei. A medida provisória foi sancionada, garantindo o pagamento de quem efetivamente coloca o peixe na nossa mesa”, declarou o parlamentar.

Novas exigências e combate a fraudes

A legislação estabelece critérios mais rígidos para acesso ao Seguro-Defeso. Entre as exigências estão:

  • biometria obrigatória
  • inscrição atualizada no CadÚnico
  • comprovação da atividade pesqueira
  • atualização cadastral periódica

As mudanças têm como objetivo reforçar a fiscalização e impedir irregularidades no recebimento do benefício.

Outro ponto importante é que a gestão do Seguro-Defeso deixa definitivamente o INSS e passa a ser administrada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que ficará responsável pela fiscalização e validação cadastral dos beneficiários.

Prazo ampliado para regularização

Apesar do endurecimento das regras, a nova lei também amplia o prazo de regularização documental para milhares de pescadores artesanais.

O texto prorroga até 31 de dezembro de 2026 o prazo para entrega do Relatório Anual de Exercício da Atividade Pesqueira (Reap) referente aos anos de 2021 a 2025 — documento obrigatório para manutenção do benefício.

A medida é considerada fundamental principalmente para regiões isoladas da Amazônia, onde muitos trabalhadores enfrentam dificuldades de acesso à internet e aos serviços digitais.

Amazonas entre os mais impactados

No Amazonas, a pesca artesanal possui forte impacto econômico e social. Segundo dados da Superintendência Federal de Pesca e Aquicultura, mais de 141 mil pescadores possuem Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) ativo nos 62 municípios do estado.

A expectativa é que a nova legislação beneficie especialmente comunidades ribeirinhas e pescadores do interior amazonense que dependem diretamente da atividade para sustento familiar.

Crédito rural e fortalecimento da pesca

Além da proteção social, a nova lei também amplia o acesso ao crédito rural para pescadores artesanais em moldes semelhantes aos oferecidos à agricultura familiar por meio do Pronaf.

Segundo Sidney Leite, a medida permitirá investimentos na estrutura de trabalho dos pescadores.

“Garantimos também o crédito para quem desejar acessar financiamento e melhorar sua estrutura na captura do pescado”, ressaltou o deputado.

Debate nacional

O texto foi aprovado após intensos debates no Congresso Nacional, principalmente sobre os impactos da burocracia digital em regiões remotas do país.

A versão sancionada manteve os mecanismos de controle e fiscalização, mas também trouxe flexibilizações consideradas essenciais para garantir que pescadores artesanais não fossem excluídos do programa por dificuldades técnicas ou estruturais.

Com isso, o governo federal busca equilibrar dois pontos considerados estratégicos: combater fraudes e garantir proteção social a quem vive da pesca artesanal no Brasil.