BRASÍLIA – Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Exfil, que mira uma sofisticada organização criminosa voltada à compra, venda e vazamento de dados sigilosos de altas autoridades da República. O principal alvo é o empresário Marcelo Conde, apontado como o mentor intelectual e financeiro do esquema.
De acordo com as investigações, Conde teria estruturado uma rede para acessar indevidamente informações fiscais e bancárias protegidas por sigilo. Entre as vítimas confirmadas estão o próprio ministro Alexandre de Moraes, seus familiares, e o Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet.
Invasão aos sistemas do Estado
A Polícia Federal detalhou que o grupo criminoso não apenas acessava os dados, mas também comercializava “dossiês” completos. Para obter as informações, a rede utilizava o acesso ilegal a sistemas da Receita Federal e do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), contando possivelmente com a colaboração de servidores ou terceirizados que burlavam as travas de segurança.
Ao todo, estima-se que os dados de quase 2 mil contribuintes tenham sido comprometidos pela estrutura liderada por Conde. O objetivo do grupo seria utilizar essas informações para pressionar, chantagear ou expor autoridades em momentos estratégicos da política nacional.
Empresário é considerado foragido
Apesar da ordem de prisão preventiva expedida na última quarta-feira (1º), Marcelo Conde não foi localizado em seus endereços conhecidos e já é considerado foragido da Justiça. O ministro Alexandre de Moraes também autorizou a quebra de sigilo telemático e bancário do empresário, buscando rastrear o fluxo financeiro que mantinha a operação criminosa em funcionamento.
A Operação Exfil — termo que remete à “exfiltração de dados” — segue em andamento para identificar outros compradores dos dados vazados e possíveis agentes públicos envolvidos na facilitação dos acessos.
O que diz a defesa
Até o fechamento desta edição, a defesa de Marcelo Conde não havia se pronunciado oficialmente sobre as acusações. O espaço segue aberto para manifestação.











