Marcelo Ramos ataca apoio de Plínio Valério à PEC da jornada 7×0 e diz que posição é “vergonha para o Amazonas”

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Pré-candidato ao Senado acusa parlamentar amazonense de respaldar proposta que, segundo críticos, ameaça direitos trabalhistas e enfraquece o descanso semanal dos trabalhadores

Por: Redação MVE

O debate sobre os direitos dos trabalhadores ganhou um novo capítulo no Amazonas após o ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado, Marcelo Ramos, criticar duramente o senador Plínio Valério por apoiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que ficou conhecida nacionalmente como PEC da jornada 7×0.

Em declaração divulgada nesta semana, Ramos classificou como uma “vergonha para o Amazonas” a adesão de Plínio Valério ao texto defendido por parlamentares da oposição no Senado. Para o ex-deputado, a proposta representa um retrocesso nas relações de trabalho e pode abrir caminho para a flexibilização do descanso semanal garantido aos trabalhadores brasileiros.

A PEC, apresentada pelo senador Rogério Marinho, propõe alterações nas regras da jornada de trabalho por meio de acordos individuais entre empregadores e empregados. Embora seus defensores afirmem que a medida amplia a liberdade de negociação e moderniza as relações trabalhistas, críticos argumentam que o texto pode fragilizar direitos históricos conquistados ao longo de décadas.

Segundo Ramos, o apoio de Plínio Valério demonstra um posicionamento contrário aos interesses da classe trabalhadora amazonense. O pré-candidato defende justamente o caminho oposto: a redução da jornada semanal para 40 horas e o fortalecimento do modelo 5×2, sem redução salarial.

“O trabalhador brasileiro precisa de mais qualidade de vida e mais tempo para conviver com a família, não de propostas que aumentem a precarização das relações de trabalho”, tem defendido Ramos em suas manifestações públicas sobre o tema.

Debate nacional chega ao Amazonas

A discussão sobre jornadas de trabalho tem mobilizado sindicatos, entidades empresariais e parlamentares em todo o país. Nos últimos meses, cresceu a pressão de movimentos sociais pelo fim da escala 6×1, considerada desgastante por trabalhadores de setores como comércio, serviços e indústria.

Nesse contexto, a assinatura de Plínio Valério na proposta passou a ser explorada por adversários políticos como um símbolo de alinhamento a pautas que flexibilizam direitos trabalhistas. A repercussão foi ampliada após a divulgação da lista de apoiadores da PEC, colocando o senador amazonense no centro da polêmica. (Reddit)

Para os defensores da proposta, entretanto, a PEC não elimina direitos constitucionais e apenas amplia possibilidades de negociação entre patrões e empregados. Já os opositores sustentam que a medida pode resultar em redução de remuneração, diminuição do pagamento de horas extras e enfraquecimento do descanso semanal remunerado.

Sinalização para a disputa de 2026

O confronto entre Marcelo Ramos e Plínio Valério também revela os contornos da disputa eleitoral de 2026 no Amazonas. Com ambos buscando espaço no debate público, temas ligados ao emprego, renda e direitos sociais tendem a ganhar protagonismo nos próximos meses.

Ramos procura consolidar sua imagem como representante de pautas trabalhistas e sociais, enquanto Plínio Valério mantém um discurso alinhado a setores que defendem maior flexibilização econômica e redução da intervenção estatal.

A controvérsia em torno da PEC da jornada 7×0, portanto, ultrapassa o campo trabalhista e se transforma em um embate político que pode influenciar a corrida pelas vagas do Amazonas no Senado Federal.

A polêmica evidencia uma questão central para o eleitor amazonense: qual modelo de desenvolvimento e de relações de trabalho deve orientar o futuro do estado? Enquanto parte do Congresso discute flexibilizações sob o argumento de modernização econômica, trabalhadores enfrentam desafios crescentes relacionados à renda, qualidade de vida e segurança no emprego. Nesse cenário, o posicionamento dos representantes do Amazonas em Brasília tende a ser cada vez mais observado e cobrado pela população.