Em um movimento articulado nos bastidores, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Hugo Motta (Republicanos-PB), realizou uma manobra para acelerar a votação da admissibilidade da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. A medida, que é a principal bandeira da esquerda no Congresso este ano, avançou sem que houvesse um debate profundo sobre os impactos devastadores para o setor de serviços e para os pequenos comerciantes.
A estratégia de Motta é vista pela oposição como um aceno ao governo Lula e aos movimentos sindicais, ignorando os pareceres técnicos que apontam para um aumento imediato nos custos operacionais das empresas — custos estes que serão inevitavelmente repassados ao consumidor final.
O “Atropelo” das Comissões
O avanço da proposta na CCJ foca apenas na “constitucionalidade”, o que permitiu que o mérito econômico fosse jogado para debaixo do tapete. Deputados da oposição denunciam que a urgência imposta pela cúpula da Câmara impede que entidades representativas do comércio e da indústria apresentem os dados reais de impacto.
“É uma irresponsabilidade fiscal e econômica. Estão vendendo um ‘paraíso’ para o trabalhador no papel, mas entregando desemprego na vida real. Quem vai pagar a conta do comércio que precisará contratar 30% a mais de pessoal para manter o mesmo horário?”, questionou um parlamentar da base oposicionista.
Populismo pré-eleitoral
Para analistas políticos, a PEC da escala 6×1 tornou-se o “cavalo de batalha” do governo para tentar recuperar popularidade. Com a economia patinando e o custo de vida subindo, o Planalto utiliza a pauta trabalhista para desviar o foco de escândalos e da falta de gestão.
A oposição alerta que, ao forçar uma mudança drástica na jornada sem uma reforma administrativa e tributária que desonere a folha, o governo está “assinando a sentença de morte” de milhares de micro e pequenas empresas que operam na margem da sobrevivência.
Próximos Passos
Após a aprovação na CCJ, o texto seguirá para uma Comissão Especial. A oposição já se mobiliza para convocar economistas e representantes de setores estratégicos — como bares, restaurantes e hotéis — para expor o “buraco” que a proposta pode causar no PIB brasileiro.











