Por: Manuel Menezes
A política tem dessas peculiaridades que desafiam a lógica dos números. Enquanto pesquisas eleitorais apontam elevados índices de rejeição, alguns candidatos mantêm um discurso firme de confiança na vitória. É o caso de David Almeida, que mesmo enfrentando um dos maiores índices de rejeição entre os pré-candidatos ao Governo do Amazonas, afirma acreditar que sairá vencedor da disputa de 2026.
Naturalmente, todo candidato precisa transmitir confiança aos seus apoiadores. Nenhum projeto político sobrevive alimentado pelo pessimismo. No entanto, existe uma diferença importante entre demonstrar otimismo e ignorar sinais claros emitidos pela população.
As pesquisas não elegem ninguém, isso é verdade. A história política brasileira está repleta de exemplos de candidatos que cresceram durante a campanha e surpreenderam adversários. Porém, as pesquisas servem como termômetro do sentimento popular em determinado momento. Quando um candidato aparece com índices elevados de rejeição, o dado não pode ser tratado como simples detalhe estatístico.
No caso de David Almeida, o desafio vai muito além de conquistar novos votos. Antes de tudo, será necessário convencer uma parcela significativa dos eleitores que hoje afirma não querer vê-lo no comando do Estado. Reverter rejeição costuma ser mais difícil do que conquistar indecisos.

Outro fator que merece atenção é a distância entre o discurso político e a realidade vivida pela população. O eleitor amazonense enfrenta problemas históricos relacionados à saúde, infraestrutura, segurança pública e desenvolvimento do interior. Em muitas regiões, o cidadão está menos preocupado com declarações de confiança e mais interessado em propostas concretas que possam transformar seu cotidiano.
A antecipação da disputa eleitoral também revela uma tendência preocupante. Enquanto lideranças já se movimentam para 2026, milhares de amazonenses seguem aguardando soluções para demandas urgentes. O risco é transformar o debate político em uma guerra de narrativas, deixando em segundo plano os problemas reais que afetam a vida da população.
David Almeida tem o direito de acreditar em sua vitória. Isso faz parte do jogo democrático. Mas a confiança de um candidato, por si só, não altera os números das pesquisas nem apaga a percepção construída junto ao eleitorado. Se pretende realmente disputar o Governo do Amazonas com chances competitivas, precisará apresentar mais do que otimismo: terá de demonstrar capacidade de convencer aqueles que hoje ainda olham seu projeto com desconfiança.
No fim das contas, a decisão não será das pesquisas, dos analistas ou dos grupos políticos. Será das urnas. Mas até lá, os números continuarão servindo como um alerta que nenhum candidato deveria ignorar.
