A Câmara dos Deputados aprovou com 370 votos favoráveis, 110 contrários e 3 abstenções o texto-base do PL Antifacção (5582/25), que cria o chamado Marco Legal de Combate ao Crime Organizado. A análise ocorreu na noite desta terça-feira, 18. 

Durante a análise, a base do governo chegou a apresentar um destaque para manter a proposta do PL Antifacção enviada pelo Executivo. Contudo, a ala esquerdista foi derrotada com 306 votos.

Ao todo, Derrite apresentou seis pareceres. O último foi divulgado no fim da tarde de hoje, depois de reunião de líderes — e acatou uma emenda que estabelece o fim da audiência de custódia presencial.

O relatório substitutivo, considerado pelo próprio relator “um marco autônomo de enfrentamento à criminalidade organizada ultraviolenta”, abandona a estratégia inicial de enxertar novos tipos penais na Lei Antiterrorismo.

A proposta cria um diploma independente, com penas mais altas, regras rígidas de execução penal e instrumentos ampliados de investigação e confisco patrimonial. Derrite justificou que a autonomia normativa dará “maior clareza interpretativa, estabilidade institucional e força jurídica” ao enfrentamento das facções. 

O PL Antifacção

A nova versão mantém a arquitetura central do substitutivo anterior, mas incorpora ajustes pedidos por bancadas, governadores e membros do Judiciário. Entre os pontos alterados, estão:

A nova redação fixa as seguintes penas:

Todos os delitos previstos nos artigos 2º e 3º tornam-se hediondos, sem possibilidade de:

Também há endurecimento da progressão de regime, que pode chegar a 85% da pena. 

Crimes tipificados

O parecer lista os principais crimes enquadrados como condutas de facção ultraviolenta, com pena de 20 a 40 anos, podendo aumentar até 2/3. Entre eles:

As condutas de apoio — como financiar, dar abrigo, fornecer informações ou incitar crimes — passam a ter pena de 12 a 20 anos. 

Confisco de bens

Em relação ao confisco de bens, o relatório endurece os mecanismos de recuperação patrimonial. A proposta lista novas medidas cautelares, como:

Derrite também acolheu pedidos do governo para alterar a destinação dos bens confiscados. Bens apreendidos passarão ao Fundo de Segurança Pública do Estado responsável pela investigação. Quando houver participação da Polícia Federal, seguirão para o Fundo Nacional de Segurança Pública. 

Audiência de custódia e julgamento

A mudança no regime de custódia é considerada o elemento de maior impacto prático da nova versão. Segundo o relatório, as audiências passam a ocorrer preferencialmente por videoconferência, atendendo ao pleito de Estados que afirmam gastar milhões com escoltas e logística.

Derrite cita dados do Ministério da Justiça para justificar a alteração: “Segundo levantamento do Ministério da Justiça, em 2018, a escolta de presos, especialmente para audiências, custou R$ 250 milhões aos estados. Soa, no mínimo, irrazoável tamanho gasto para atos processuais que podem ser contemplados pelos atuais meios tecnológicos de comunicação”.

A mudança também é respaldada pelo argumento de segurança: deslocamentos de líderes de facção geram riscos de fuga, emboscadas e ataques coordenados.

O relatório ainda cria:

Ao justificar a saída dos julgamentos de homicídios do júri popular, Derrite explicou que não se trata de conflito intersubjetivo comum, mas de ação instrumental para domínio territorial e que jurados podem ser intimidados por facções. A lógica é semelhante ao tratamento dado ao latrocínio, que não vai ao júri.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *