Por Manuel Menezes
A qualidade de um governo não é medida pelos discursos que faz, mas pelas crises que consegue evitar.
Na saúde pública, essa verdade é ainda mais evidente.
As recentes denúncias de atrasos nos pagamentos de médicos que atuam na rede estadual acendem um alerta que não pode ser tratado como um problema burocrático. Quando profissionais responsáveis por salvar vidas afirmam que aguardam há meses pelo recebimento de seus honorários, o sinal que chega à sociedade é preocupante.
Independentemente das justificativas apresentadas pela administração estadual, a população espera que a saúde funcione com previsibilidade, planejamento e responsabilidade.
É legítimo que o cidadão questione como um Estado consegue manter investimentos em diversas áreas, enquanto profissionais essenciais denunciam dificuldades para receber pelo trabalho já realizado.
Mais do que um problema financeiro, trata-se de uma questão de gestão.
Quem procura um hospital público não quer saber quem é o responsável pelo contrato, pela empresa terceirizada ou pelo processo administrativo. O cidadão quer encontrar médicos trabalhando em condições adequadas, atendimento eficiente e um sistema capaz de responder às suas necessidades.
Quando entidades representativas da categoria médica fazem cobranças públicas, o debate deixa de ser corporativo e passa a envolver o interesse coletivo.
O maior patrimônio de um sistema de saúde não são seus prédios ou equipamentos.
São as pessoas.
São os médicos, enfermeiros, técnicos e demais profissionais que sustentam diariamente o funcionamento da rede pública.
Valorizar esses profissionais não é um favor.
É uma obrigação do Estado.
Toda administração pública enfrenta dificuldades. O que diferencia uma gestão eficiente é a capacidade de antecipar problemas e impedir que eles se transformem em crises.
A saúde exige planejamento permanente.
Exige equilíbrio financeiro.
Exige prioridade.
A população amazonense tem o direito de cobrar respostas rápidas, transparência sobre a situação e medidas concretas para garantir a continuidade dos serviços.
Mais importante do que discursos é a capacidade de entregar resultados.
Porque, quando a saúde entra em crise, não existe espaço para narrativas.
Existe apenas a realidade de quem espera atendimento, de quem trabalha para salvar vidas e de quem depende do serviço público para cuidar da própria família.
O Amazonas precisa de soluções.
E soluções começam quando a gestão pública coloca a saúde onde ela sempre deveria estar: como prioridade absoluta.
