Por Manuel Menezes

Durante meses, a política do Amazonas viveu de especulações. Bastidores alimentavam teorias sobre desistências, trocas de candidatos, alianças improváveis e movimentos de última hora. As convenções partidárias encerraram esse capítulo. A partir de agora, a eleição deixa o campo das hipóteses e entra definitivamente no terreno da realidade.

As convenções representam o momento em que os partidos oficializam suas candidaturas e alianças, dando início à fase formal da disputa eleitoral perante a Justiça Eleitoral.

O cenário que emerge é muito diferente daquele desenhado por analistas e grupos políticos ao longo dos últimos meses. O PL confirmou Maria do Carmo como candidata ao Governo, tendo o Coronel Aníbal como vice. Roberto Cidade confirmou sua candidatura à reeleição e contará com Wilson Lima na disputa pelo Senado. Eduardo Braga consolidou sua candidatura ao Senado pelo MDB, enquanto Omar Aziz reafirma sua posição como um dos principais articuladores da política estadual.

Mais do que confirmar nomes, as convenções revelaram algo que costuma definir eleições: a capacidade de organização de cada grupo político.

Na política, vencer não depende apenas de popularidade. É preciso estrutura, alianças, tempo de televisão, recursos, candidatos competitivos para deputado estadual e federal e, principalmente, capacidade de mobilização no interior do estado. É justamente nesse aspecto que a disputa de 2026 começa a ganhar contornos mais claros.

Outro ponto importante é que o discurso da “terceira via” perdeu força. Com praticamente todas as principais lideranças posicionadas, o eleitor passa a enxergar blocos políticos bem definidos. A tendência é que a campanha caminhe para uma polarização estadual entre projetos distintos de governo, reduzindo o espaço para candidaturas que apostavam apenas no desgaste dos adversários.

Também chama atenção o fortalecimento do interior na estratégia das campanhas. Diferentemente de outras eleições, os municípios do Amazonas devem ter papel decisivo. Quem conseguir ampliar sua presença fora da capital terá vantagem significativa em um estado de dimensões continentais, onde a política continua sendo construída muito mais pelo contato direto do que pelas redes sociais.

Mas talvez a maior lição deixada pelas convenções seja outra.

Elas mostraram que a política real é muito diferente da política das redes sociais. Enquanto nos bastidores digitais circulavam boatos sobre desistências e mudanças radicais, os partidos trabalharam silenciosamente para montar suas chapas, negociar apoios e consolidar seus projetos. No fim, prevaleceu a articulação política, não o barulho da internet.

Isso não significa que o jogo esteja decidido. Muito pelo contrário.

A campanha apenas começou. Pesquisas oscilarão, novos apoios surgirão, debates ganharão intensidade e fatos inesperados certamente aparecerão até outubro. Porém, existe uma diferença fundamental: agora todos sabem quem são os jogadores e quais projetos estarão diante do eleitor.

O Amazonas entra, oficialmente, na fase em que marketing e discursos precisarão ser sustentados por propostas consistentes, capacidade administrativa e credibilidade política.

As convenções enterraram as lendas urbanas da política amazonense. A partir deste momento, quem quiser vencer terá de convencer o eleitor com trabalho, alianças sólidas e um projeto capaz de responder aos desafios de um estado que continua cobrando desenvolvimento, infraestrutura, segurança e oportunidades.

A campanha começou. E, daqui para frente, o tempo das especulações dá lugar ao julgamento das urnas.

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