Por MVE
A poucos dias da eleição, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o lançamento do chamado “Desenrola 3.0”, um programa sem precedentes em que a União utilizará cerca de R$ 15 bilhões em recursos públicos para comprar diretamente cartões de crédito e empréstimos inadimplentes de famílias brasileiras. O pacote prevê adquirir até R$ 150 bilhões em dívidas acumuladas que estão nos balanços das instituições financeiras, em um movimento classificado por analistas políticos e pela oposição como uma clara demonstração de desespero eleitoral diante da alta rejeição da gestão e do desgaste com escândalos recentes.
A medida contempla débitos bancários de até R$ 10 mil atrasados entre dois e quatro anos e meio, com a promessa de repassar descontos de até 90% aos devedores. No entanto, o desenho da operação e, sobretudo, o timing do anúncio provocaram reações imediatas na Faria Lima e no Congresso Nacional, onde o plano é visto como uma cartada populista para inflar a popularidade do presidente no momento mais crítico da disputa presidencial.
Manobra Eleitoreira e Risco Fiscal
A decisão do Palácio do Planalto de acelerar a elaboração do programa — que até a semana anterior ainda passava por avaliações jurídicas e fiscais preliminares — explicita a urgência do governo em criar uma pauta positiva na reta final de campanha. Analistas econômicos alertam que a compra de carteiras de crédito podres pelo Tesouro Nacional cria um risco moral gravíssimo no sistema financeiro, transferindo a conta da inadimplência privada para os cofres públicos.
Além disso, o custo estimado de R$ 15 bilhões compromete ainda mais as já fragilizadas metas fiscais da equipe econômica. Enquanto o país enfrenta juros elevados e forte incerteza orçamentária, a injeção de bilhões de reais para “estatizar” dívidas privadas é apontada pela oposição como um uso escancarado da máquina pública com finalidade eleitoral.
Leilões Previstos Apenas para Após o Pleito
Apesar do alarde publicitário feito pela comunicação oficial no anúncio, o cronograma operacional revela que o benefício real não chegará de imediato aos consumidores. O leilão para a compra das dívidas junto aos bancos está programado apenas para os meses subsequentes às eleições.
Para líderes oposicionistas, a promessa sem execução imediata reforça o caráter de engodo eleitoral: o governo tenta vender um alívio financeiro imediato à população endividada, enquanto a consolidação dos descontos e a assinatura de contratos se arrastarão por meses, servindo apenas como peça de propaganda no palanque governista.











