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Decisão do STF revela detalhes explosivos da operação que colocou Ciro Nogueira no centro do escândalo Banco Master

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Documento de André Mendonça cita pagamentos mensais, viagens de luxo, imóveis e atuação política em favor do banqueiro Daniel Vorcaro

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a quinta fase da Operação Compliance Zero, revelou detalhes considerados explosivos pela Polícia Federal sobre a suposta relação entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Segundo o documento, a PF identificou “fortes indícios” de que o senador teria atuado politicamente em favor dos interesses do Banco Master dentro do Congresso Nacional em troca de vantagens econômicas indevidas. A investigação aponta pagamentos recorrentes, viagens internacionais, uso de imóveis de luxo e até participação societária com condições consideradas suspeitas pelos investigadores.

A decisão autorizou dez mandados de busca e apreensão e uma prisão temporária, além do bloqueio de aproximadamente R$ 18,85 milhões em bens e valores ligados aos investigados. As ações ocorreram no Piauí, Distrito Federal, São Paulo e Minas Gerais.

Um dos trechos mais delicados do documento aponta suspeita de que uma proposta legislativa conhecida nos bastidores como “emenda Master” teria sido redigida dentro do próprio banco para beneficiar diretamente a instituição financeira. A PF suspeita que Ciro Nogueira tenha atuado para viabilizar a medida no Senado em troca de benefícios financeiros.

A investigação também menciona a existência de pagamentos mensais ao senador, supostamente operacionalizados por Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro. Felipe foi preso temporariamente nesta quinta-feira (7) em Minas Gerais.

Outro ponto destacado na decisão do STF envolve a utilização de imóveis ligados ao banqueiro por pessoas próximas ao senador. Segundo os investigadores, há indícios de que propriedades de luxo pertencentes ao grupo investigado eram utilizadas como se fossem patrimônio particular de aliados políticos.

Os relatórios da Polícia Federal afirmam ainda que o caso envolvendo Ciro Nogueira era um dos que apresentavam maior quantidade de indícios dentro da operação. Em um dos trechos divulgados pela imprensa, o senador é tratado como possível “destinatário central das vantagens indevidas” investigadas no esquema.

A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário envolvendo fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro, manipulação de mercado e uso irregular de instituições financeiras ligadas ao Banco Master. A investigação teve início em 2024 e já provocou prisões de banqueiros, empresários, operadores financeiros e ex-dirigentes do Banco Central e do BRB.

A nova fase ampliou o impacto político do caso ao atingir diretamente um dos principais líderes do Centrão em Brasília. Presidente nacional do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira é considerado uma das figuras mais influentes do Congresso Nacional.

A defesa do senador afirmou que ele não praticou qualquer ilegalidade e declarou que irá colaborar com as investigações. Até o momento, não há denúncia formal nem condenação contra os investigados.

Eis a íntegra da decisão.

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