O governo apresentou deficit de R$ 68,7 bilhões nas contas públicas no 1º semestre de 2024. O resultado representa uma alta real (descontada a inflação) de 55%.

O resultado é o pior para o período desde 2020, ano em que teve início a pandemia de covid-19. Naquele momento, o rombo atingiu R$ 417,3 bilhões em valores correntes, o equivalente a um deficit de R$ 544,1 bilhões quando corrigido pela inflação.

Na prática, o resultado apresentado dificulta a missão do governo em cumprir a meta fiscal para 2024, que estabelece deficit zero. Na 2ª feira (22.jul), a equipe econômica aumentou a projeção de rombo em 2024, de R$ 14,5 bilhões para R$ 32,6 bilhões.

A nova projeção ultrapassa a margem permitida para o ano. Por isso, o governo fará um contingenciamento de R$ 3,8 bilhões no Orçamento. Assim, a estimativa se mantém no limite do intervalo de tolerância –0,25 p.p (ponto percentual) do PIB– para cumprir a meta. Em valores nominais, o governo pode gastar até R$ 28,8 bilhões a mais que as receitas em 2024.

No 1º semestre de 2023, o rombo foi de R$ 43,2 bilhões em valores nominais. O Tesouro Nacional divulgou o balanço nesta 6ª feira (26.jul.2024). Eis a íntegra (PDF – 875 kB) da apresentação.

O resultado diz respeito às contas do governo central, que inclui Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central.

Leia a trajetória das contas do governo no 1º semestre, de 2013 a 2024:

RECEITAS

A receita total foi de R$ 1,32 trilhão de janeiro a junho de 2024, o que representa uma alta real de 8,5%. Em valores, houve um crescimento de R$ 103,3 bilhões ante o mesmo período em 2023.

A receita líquida –que diz respeito à quantia que o governo tem depois de fazer as transferências aos entes da Federação– atingiu R$ 1,06 trilhão –subiu R$ 83,2 bilhões (8,5%) em termos reais.

O Tesouro diz que a variação se dá, sobretudo, por estes fatores:

DESPESAS

As despesas primárias atingiram R$ 1,13 trilhão, um acréscimo de R$ 107,3 bilhões (alta real de 10,5%). Dentre os gastos que influenciaram, estão:

JUNHO

Em junho, o deficit foi de R$ 38,8 bilhões. No mesmo mês em 2023, o rombo foi de R$ 45,1 bilhões em termos nominais.

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