A sessão desta segunda-feira, 15, da Comissão Parlamentar Mista do Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi cancelada depois de o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, ter cancelado o seu depoimento. Em um primeiro momento, a defesa do investigado confirmou a participação. Algumas horas depois, contudo, informou a ausência. 

Com isso, a presidência da CPMI do INSS cancelou a reunião prevista para a tarde desta segunda-feira. O chefe do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), tinha pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) a liberação para o empresário ir à comissão — entretanto, a Corte facultou a presença, cabendo a ele optar por depor ou não.

Viana lamentou a ausência do Careca do INSS na sessão. “Perdemos a oportunidade de ouvir hoje um dos principais investigados no escândalo que desviou recursos dos aposentados”, disse o senador. “É lamentável, mas a comissão seguirá trabalhando para que a verdade venha à tona e os culpados sejam responsabilizados.”

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O senador Carlos Viana, presidente CPMI da INSS, durante sessão do colegiado | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Prisões da semana passada

Na última sexta-feira, 12, a Polícia Federal (PF) prendeu o Careca do INSS e o empresário Maurício Camisotti, indicados como dois dos principais articuladores do esquema bilionário de descontos fraudulentos em benefícios de aposentados e pensionistas. As prisões foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do STF, depois dos pedidos aprovados pela CPMI.

Segundo as investigações, o grupo teria movimentado bilhões de reais em operações fraudulentas, utilizando associações de fachada, empresas de cobrança e acesso privilegiado a dados de beneficiários. Camisotti é suspeito de ser um dos operadores centrais do esquema, responsável por repassar propina e articular a rede de fraudes.

Depoimentos já colhidos

Na semana passada, a comissão ouviu dois ex-ministros da Previdência Social que prestaram esclarecimentos sobre o período em que exerceram o cargo. O ex-ministro Carlos Lupi (PDT) afirmou não ter informado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o tamanho das irregularidades, porque só tomou conhecimento da dimensão do problema depois d a primeira operação da PF, em maio de 2024.

“Recebia denúncias pontuais, mas a real dimensão dos bilhões em fraudes só foi conhecida depois da operação da Polícia Federal”, declarou Lupi. “Antes disso, o que tínhamos eram relatos isolados, que não refletiam a magnitude do esquema.”

José Carlos Oliveira, outro ex-ministro da Previdência, também foi ouvido pela comissão. Ele disse ter tomado providências administrativas diante de denúncias que chegaram à sua gestão. “Assim que recebíamos indícios, encaminhávamos imediatamente para apuração.” 

“Mas o que vimos agora foi um esquema muito mais amplo, com participação de agentes externos e até mesmo uso indevido de informações internas do INSS”, relatou Oliveira.

Próximos passos da CPMI do INSS

Com o cancelamento desta segunda-feira, a expectativa é que a CPMI do INSS reapresente o pedido ao STF para garantir a oitiva dos presos. Parlamentares defendem que os investigados expliquem não apenas o funcionamento da fraude, mas também o destino do dinheiro desviado e as eventuais conexões políticas que possam ter dado suporte ao esquema.

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