O candidato do Psol à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, afirmou que fará debates em praça pública, com os eleitores, caso os encontros programados para o segundo turno sejam cancelados pela ausência do seu adversário, o prefeito e candidato à reeleição, Ricardo Nunes (MDB). A participação em debates virou ponto de conflito entre os dois concorrentes. Nunes defende a realização de, no máximo, três, enquanto Boulos abraça a ideia de ir em todos.
“Eu estarei em todos os debates que forem chamados e se ele não for aos debates, e porventura, o órgão de imprensa cancelar o debate por isso, eu vou para praça pública fazer debate com a população, junto com os eleitores. Nós não vamos nos furtar de fazer o debate necessário com a população de São Paulo neste segundo turno”, disse nesta quarta-feira (9) em entrevista ao UOL.
Boulos criticou a postura de Nunes, afirmando que o candidato quer “fugir” do debate para não ser confrontado. “Como é que ele vai ser confrontado com essas questões que estamos falando aqui? Tem coisa que não tem resposta. É lógico que ele vai querer fugir do debate, como o diabo foge da cruz”, afirmou Boulos.
Entre as “questões” citadas por Boulos na entrevista está o boletim de ocorrência registrado pela esposa de Nunes, Regina Carnovale, em 2011, contra o prefeito – tema bastante explorado por Pablo Marçal ao longo da campanha eleitoral – e também uma situação na Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras. Boulos voltou a afirmar que o chefe de gabinete da pasta é ex-cunhado de Marcola, chefe do PCC, e disse que Nunes deve explicar a situação.
Boulos levantou esse tema no debate da TV Globo, o último antes da votação do primeiro turno. “Por que você entregou o dinheiro da Prefeitura para o cunhado do Marcola?”, questionou na ocasião. Nunes respondeu que o funcionário é servidor de carreira e foi nomeado em 1988 pela então prefeita Luiza Erundina. “Ele é chefe de gabinete. Não mexe com nada dessas questões de licitação”, afirmou o prefeito no debate.
A participação em debates é o primeiro conflito entre as campanhas de Nunes e Boulos no segundo turno. A campanha do prefeito reclamou do número de encontros programados – de 12 ao todo -, e propôs que os veículos de imprensa se organizassem em “pool” para fazer os eventos, reduzindo o número para três.
“A gente não pode aceitar o nível de redução de debates que ele está propondo”, afirmou o psolista na entrevista desta manhã. Boulos havia concordado com uma redução mais branda de 12 para 9 encontros.











