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“A AMAZÔNIA PERIFÉRICA TAMBÉM É BRASIL REAL”, AFIRMA CELSO ATHAYDE EM MANAUS

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Fundador da Central Única das Favelas, Celso Athayde lançou “Humanos” no Amazonas, obra que retrata, com olhar sensível, a fé, sonhos e relações familiares de pessoas que vivem em conflito com a lei.

Manaus foi palco do lançamento do livro Humanos, do fundador da Central Única das Favelas (CUFA), Celso Athayde. Realizado pela CUFA Amazonas, o evento reuniu cerca de 60 pessoas na Livraria Valer, entre autoridades políticas, empresários e lideranças comunitárias, consolidando um importante espaço de diálogo sobre desigualdade, oportunidades e transformação social a partir das periferias amazônicas.

“Dado sozinho não muda nada. O que muda é quando ele vira decisão. O Data Favela rompe com a lógica da política feita de cima pra baixo e começa ouvindo quem vive a realidade,” complementa Celso Athayde.

A obra, escrita em parceria com Marcus Vinicius Athayde, copresidente do Data Favela e presidente da CUFA Global, apresenta dados de uma ampla pesquisa realizada em 23 estados brasileiros, ouvindo quase 4 mil pessoas. Ao mesmo tempo em que enfrentamos os desafios sociais, também precisamos enxergar a região amazônica como uma potência global. A Amazônia não pode ser vista apenas pelos seus problemas, mas, sobretudo, pela sua capacidade de gerar formas de vida sustentáveis para quem já vive nesses territórios.

”É nosso papel dar visibilidade a essa potência para quem está fora da região, mostrando a força, a criatividade e as soluções que nascem dentro das periferias e comunidades amazônicas. Temos exemplos concretos de projetos que já acontecem na Amazônia e nas favelas, mas também realizamos ações de grande impacto. Um marco importante foi a construção do Hospital para o povo indígena Yanomami, em Roraima, essa iniciativa que demonstra nosso compromisso com o desenvolvimento da região,” destaca Marcus Vinícius Athayde, presidente da CUFA Global.

O livro propõe um olhar mais humano sobre realidades marcadas pela desigualdade social. A pesquisa revela que a maioria dos entrevistados é jovem, preta e possui família. Metade tem até 26 anos e 80% até 36. Quase metade aponta a falta de dinheiro com principal motivo para o ingresso no crime. Quando questionados sobre o que fariam diferente, a resposta mais recorrente foi ter investido nos estudos. Além disso, 84% afirmam que não desejam que seus filhos sigam o mesmo caminho.

“Trazer esse lançamento para Manaus é reconhecer que a favela não tem um CEP único no Brasil. Aqui ela é ribeirinha, é palafita, é marcada pelo rio e pelo abandono histórico. Mas a essência é a mesma: gente que sobrevive, cria, empreende e sonha mesmo quando tudo é contra,” afirma Celso Athayde.

O encontro reafirmou o compromisso da CUFA Amazonas em articular conhecimento, pesquisa e mobilização social como ferramentas para impulsionar políticas públicas eficazes, atrair investimentos e ampliar oportunidades reais para a juventude periférica do estado.

“É muito importante quando olham para a favela com mais humanidade. Nossa realidade é difícil, falta oportunidade, mas também tem trabalho, fé e sonho. A gente quer ser visto além dos problemas,” afirma Maria Cristina Pereira, moradora da favela Cidade de Deus.