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EDITORIAL: Inversão de Valores e a Solidão da “População de Bem”

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Por: Manuel Menezes

O Brasil atravessa um dos períodos mais sombrios e contraditórios de sua história recente, não posso me calar diante da erosão institucional que testemunhamos diariamente. Vivemos em um país onde a lógica parece ter sido invertida: o crime é relativizado e a “população de bem” é quem se sente acuada e desamparada.

Tudo começa no topo da pirâmide. Temos hoje no poder um “descondenado”, alguém que só retornou à cena política por manobras jurídicas que ignoraram o anseio de justiça da nação. Sob essa gestão, o PT (Partido dos Trabalhadores) consolidou uma narrativa perigosa, tratando criminosos como “perseguidos políticos” ou vítimas da sociedade. O resultado dessa retórica não poderia ser outro: uma sensação de impunidade que rasga o tecido social e castiga quem trabalha e segue as leis.

A estrutura do partido governista também revela sua face autoritária. O que vemos na presidência do PT é, na prática, uma figura decorativa, um “laranja” que apenas cumpre ordens. O verdadeiro dono do partido foi, é e sempre será Lula. E as demonstrações de desrespeito à ordem não param por aí. Recentemente, fomos confrontados com a imagem chocante do presidente do PT no Rio de Janeiro posando ostensivamente com uma arma, vestindo uma camiseta com o rosto de Lula. É a personificação da hipocrisia de quem prega o desarmamento para o cidadão comum, mas flerta com o simbolismo da força para os seus.

Na publicação feita nas redes sociais, escreveu: “Sou de esquerda, seguidor de Che Guevara, Lamarca, Fidel Castro e Marighella”. A imagem foi apagada depois da publicação.

Veja:

No campo institucional, o aparelhamento é escandaloso. Como confiar na isenção das instituições quando o presidente coloca seu ex-segurança pessoal para chefiar a Polícia Federal? É a segurança do indivíduo sobrepondo-se à segurança do Estado.

Para completar esse cenário de “loucura” bancada com dinheiro público, temos o ministro Alexandre de Moraes. Através de atos monocráticos e decisões que atropelam o rito democrático, ele governa o país sem nunca ter recebido um único voto popular. Tornou-se um legislador de fato, deixando o cidadão comum com uma pergunta angustiante: a quem a população de bem pode recorrer?

As instituições, que deveriam ser o nosso refúgio, parecem hoje trabalhar em um sistema de circuito fechado, protegendo-se mutuamente enquanto o povo paga a conta — e não é apenas uma conta financeira, é uma conta de liberdade e dignidade.

O Brasil não pode aceitar esse “novo normal”. É preciso coragem para denunciar que o rei está nu e que o dinheiro do trabalhador não pode continuar financiando um projeto de poder que despreza a ordem, a segurança e a verdadeira democracia.