Polícia apreende celular e computador de Maria do Carmo; delegado relata resistência durante buscas e diz: “A polícia tem que tratar todos de forma igual”

WhatsApp
Facebook
Telegram
X
LinkedIn
Email
Marcelo Martins afirma que funcionários e advogados questionaram a execução da ordem judicial. Investigação apura possíveis crimes relacionados à manipulação de imagens envolvendo a filha do governador eleito Omar Aziz.

Por Manuel Menezes

A operação da Polícia Civil do Amazonas na residência de Maria do Carmo Seffair, ex-candidata ao Governo do Estado pelo PL, ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (6). O delegado Marcelo Martins, responsável pela investigação, confirmou a apreensão do celular e do computador pessoais da ex-candidata e relatou resistência de funcionários e advogados durante o cumprimento do mandado judicial.

A diligência ocorreu no bairro Nossa Senhora das Graças, zona centro-sul de Manaus, no âmbito de um inquérito que apura possíveis crimes relacionados à utilização de imagens de uma criança em material divulgado durante a campanha eleitoral de 2026. O caso envolve a filha do governador eleito Omar Aziz (PSD).

Delegado relata resistência durante operação

Em entrevista à imprensa, Marcelo Martins afirmou que a equipe encontrou dificuldades no início da operação.

“No primeiro momento nós encontramos alguma resistência de alguns funcionários da Maria do Carmo, depois os advogados também apresentaram alguma resistência, nós tivemos algumas discussões aí dentro, mas nós conseguimos fazer valer a ordem judicial”, declarou.

Segundo o delegado, os advogados questionaram os limites da busca e defenderam que determinados cômodos não fossem revistados.

Martins afirmou que a polícia realizou a diligência conforme sua interpretação da autorização judicial e destacou que a fiscalização não pode variar de acordo com a condição econômica ou social da pessoa investigada.

“Mas a polícia tem que tratar todos de forma igual”, enfatizou.

Celular e computador pessoais foram apreendidos

O delegado confirmou que os policiais recolheram equipamentos eletrônicos considerados relevantes para a investigação.

“Nós cumprimos integralmente o mandado e conseguimos apreender o celular pessoal da Maria do Carmo e o computador pessoal dela”, afirmou.

Os aparelhos poderão ser submetidos à análise técnica para identificar eventuais informações relacionadas à produção, manipulação ou circulação do material investigado.

A apreensão não significa que os dispositivos contenham provas de participação da ex-candidata nos possíveis crimes.

Investigação envolve imagem da filha de Omar Aziz

O caso apura a possível prática de crimes relacionados à utilização indevida de imagens de uma criança, com base na legislação de proteção à infância e à adolescência.

Marcelo Martins classificou os fatos investigados como graves e defendeu uma apuração rigorosa.

A proteção de crianças e adolescentes deve prevalecer sobre disputas eleitorais e divergências partidárias. A eventual utilização criminosa da imagem de uma menor exige esclarecimento e responsabilização de quem comprovadamente tenha participado dos fatos.

Defesa questionou limites da busca

De acordo com o delegado, os advogados de Maria do Carmo sustentaram que a decisão judicial estabelecia restrições quanto aos locais que poderiam ser examinados.

A polícia, por sua vez, entendeu que a ordem autorizava uma busca mais ampla na residência.

O cumprimento da diligência ocorreu após o restabelecimento da autorização judicial pelo Tribunal de Justiça do Amazonas.

As divergências sobre a abrangência do mandado poderão ser submetidas à análise da Justiça. O questionamento apresentado por advogados, por si só, não comprova tentativa ilegal de obstrução.

Caso exige esclarecimentos

O episódio amplia a repercussão de uma investigação que envolve a proteção da imagem de uma criança e a circulação de conteúdo durante uma campanha eleitoral.

A Polícia Civil deverá analisar os equipamentos apreendidos e buscar elementos que permitam identificar os responsáveis pelos possíveis crimes.

Maria do Carmo tem direito à presunção de inocência e à ampla defesa. Até o momento, a realização das buscas não representa condenação nem comprovação de sua participação na produção ou divulgação do vídeo.

O interesse público exige que a investigação avance com rigor, transparência e respeito às garantias legais, para que os responsáveis, caso identificados, respondam pelos atos praticados.